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Cotidiano
29/09/2008 - 08h48

Cobrança prévia por bicicleta do metrô surpreende usuário em SP

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WILLIAN VIEIRA
da Folha de S.Paulo

Era a primeira vez que o técnico Alexandre Arraes, 42, saía para pedalar com os filhos em Itaquera (zona leste). Daí a animação no primeiro domingo de aluguel de bicicletas na linha 3 do metrô --e da ciclovia Caminho Verde, na Radial Leste.

Mas qual não foi a surpresa quando chegou, ontem, à estação Guilhermina-Esperança e ouviu que deveria pagar R$ 1.050 no cartão de crédito (R$ 350 para cada bicicleta), estornados após a entrega? "Sabia do cartão, mas não dessa caução."

Como o sistema de cobrança caíra, Arraes teve que escrever um termo de responsabilidade autorizando o débito em caso de extravio. "Já tinha ido até lá, então assinei." Não foi o único desinformado. A Porto Seguro (patrocinadora do projeto "Metrociclista") e o Metrô disseram desconhecer a cobrança. Já Ismael Caetano, do Instituto Parada Vital (a cargo do sistema, em parceria com o Metrô), disse que "a caução estava prevista desde o começo. Não sei por que não foi divulgado".

Assim, o domingo nublado foi de pouco público e muita dúvida nas estações Sé, Carrão, Guilhermina-Esperança e Corinthians-Itaquera, que têm bicicletários --com 50 bicicletas-- desde anteontem (quando houve 26 aluguéis ao todo, segundo o Metrô). Em todas, o público --raro--, não sabia da caução (o folder só trazia menção à cópia do cartão).

O sistema de cobrança também não ajudou. "Nossa rede está caindo, então está demorando", dizia um funcionário do bicicletário da Sé, onde, às 11h30, todas as dez bicicletas e cinco funcionários estavam parados. "Faz um termo de responsabilidade", explicava, pelo celular, o supervisor dos bicicletários a outro funcionário. Pedalando na ciclovia da Radial Leste com o marido e o filho (e desviando de pedestres), a bombeira Paula Ferreira aprovou as novidades. Mas teve de deixar um termo no valor de R$ 700, depois de 30 minutos de espera pelo cartão (o sistema estava fora).

"Só não desistimos por causa dele", diz, olhando para seu saltitante filho de capacete.

Público raro

Com um pano na mão e uma garrafa de álcool na outra, a funcionária do bicicletário da estação Carrão esfregava as dez bicicletas paradas. "É que não saiu nenhuma", diz. A mesma cena de desolação e tédio foi vista outros bicicletários. Na Sé, entre as 11h30 e as 12h15, não houve aluguéis. "Tem gente que descobre que tem que pagar caução e vai embora", diz um funcionário. Como Genilda Zuritta, 25. "Não alugo, não. E se não estornarem o cartão?"

Arraes arriscou. "E valeu à pena, pelo passeio" --que foi das 10h às 14h e custou R$ 18 para as três bicicletas (a primeira hora é gratuita e da, segunda em diante, sai por R$ 2 a hora). "A idéia é um barato", diz, resfolegando. "Ainda mais aqui, que nunca tem nada".

 

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