Polícia mantém buscas no Paraguai a suspeitos de chacina em Guaíra (PR)
Colaboração para a Folha Online
A força-tarefa montada para tentar capturar os responsáveis pela chacina que deixou 15 pessoas mortas em Guaíra (PR), no último dia 22, prossegue as buscas pelos suspeitos no Paraguai. O delegado-chefe de Guaíra, Pedro Lucena, diz acreditar que a polícia irá prendê-los em questão de dias. Para ele, o paradeiro mais provável dos supostos assassinos é mesmo o Paraguai, país próximo à fronteira onde ocorreu o crime.
"É difícil [a busca] porque é um local ermo. Mas quando baixar a poeira eles vão relaxar e nós vamos pôr as mãos neles", disse Lucena nesta quarta-feira.
| Arte/Folha Online |
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Na semana passada, a Secretaria da Segurança informou que três homens já foram identificados como suspeitos pelas mortes.
Participam das operações da força-tarefa mais de cem homens, entre policiais civis e militares de diferentes cidades, polícia paraguaia e agentes da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal.
Segundo a Secretaria da Segurança, na semana passada, policiais chegaram a investigar a informação de que os responsáveis pela chacina estavam em um imóvel já no lado paraguaio do rio Paraná. O local, no entanto, estava vazio.
Reconstituição
Na última quarta-feira (24), a Polícia Civil realizou a reconstituição da chacina no sítio na Vila Santa Clara, onde ocorreram os assassinatos. Duas testemunhas participaram da recriação da cena do crime --uma adolescente de 16 anos e um garoto de 9 anos-- além de um homem que representou o traficante Robert Ramom Guedes Rios, 35, marido da testemunha, que está entre os mortos. A moça e o menino sobreviveram ao ataque dos criminosos.
A adolescente, mãe de um bebê de um ano e sete meses e considerada pela polícia a principal testemunha da chacina, disse à Folha que foi seu marido que salvou sua vida, a da filha e a do garoto de 9 anos. Os três conseguiram fugir do local ao pular uma janela.
De acordo com o relato da garota, Rios gritou e jogou o bebê no chão quando viu que ambos seriam mortos pelos criminosos. Ele chegou a agarrar um deles, mesmo baleado no pescoço. A adolescente pegou o bebê e pulou pela janela do local, durante o tiroteio. O mesmo aconteceu com o garoto, que conhecia alguns dos suspeitos.
Chacina
A chacina é a maior já registrada no Estado. A principal suspeita é que a chacina tenha sido causada por conta de uma disputa entre quadrilhas brasileiras de traficantes de drogas, cigarros e produtos eletrônicos que atuam na região.
Os criminosos teriam fugido de barco pelo rio Paraná para o Paraguai logo após o crime. A região, no noroeste do Paraná com o Paraguai, é a nova rota adotada por contrabandistas e traficantes de drogas e armas.
De acordo com o secretário da Segurança, Luiz Fernando Delazari, os criminosos chegaram ao local, na Vila Santa Clara, e procuraram por um homem conhecido como Polaco, que já cumpriu pena por trafico de drogas e que estaria devendo R$ 4.000 para a quadrilha. Ele também já teriam ordenado o assassinato de um traficante rival.
Pressionado, Polaco chamou as outras vítimas ao local onde ocorreu a chacina. 'À medida que iam chegando ao galpão, eles eram rendidos e amarrados pelos assassinos. Foram todos executados com tiros de [espingarda] calibre 12, 9 milímetros e [revólver calibre] 38', disse Delazari na ocasião.
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