Serra minimiza protesto e atribui confronto de policiais a motivação eleitoral
da Folha Online
O governador José Serra (PSDB) afirmou durante entrevista ao "SPTV", da TV Globo, que o confronto entre policiais civis em greve e a Polícia Militar, ocorrido na tarde desta quinta-feira nas proximidades do Palácio dos Bandeirantes --sede do governo do Estado--, foi um ato realizado pela minoria da Polícia Civil e que teve motivação político-eleitoral. Os grevistas rebateram as declarações do governador.
| Leandro Moraes/Folha Imagem |
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| Policiais militares usam bombas de efeito moral e balas de borracha para dispersar policiais civis grevistas durante manifestação em SP |
"Nessa manifestação estiveram cerca de mil pessoas, e a Polícia Civil tem 35 mil efetivos. Portanto trata-se de minoria. Mais ainda, nem todos que estão na manifestação são da Polícia Civil. Tem CUT, Força Sindical, outros sindicatos, partidos políticos, deputados de outros partidos, todos chamando para a manifestação, com uso claramente político-eleitoral", disse o governador.
Os policiais civis entraram em confronto com a Polícia Militar nas proximidades do Palácio dos Bandeirantes por volta das 16h. A intenção dos policiais civis --em greve há um mês-- era pressionar o governo a retomar as negociações e, para isso, pretendiam ser recebidos no Palácio.
Para reprimir a passeata dos grevistas, policiais militares atiraram bombas de efeito moral e balas de borracha contra os policiais grevistas. Serra afirmou que a orientação passada para as polícias era de "tranqüilidade para enfrentar as coisas com calma e ponderação e firmeza para impedir que a segurança da população seja ameaçada". O confronto entre os policiais deixou 22 feridos.
Ouça relato de repórter sobre o confronto
O governador acusou os grevistas de agirem ilegalmente ao participar da manifestação com armas da Polícia Civil. "A maneira de fazer reivindicação não é pegar armas que estão destinadas para enfrentamento de "bandidos' e apresentar isto em manifestações. Isto é ilegal e não se deve fazer, perturba a tranqüilidade da cidade, do Estado e mesmo do país. É um movimento armado absolutamente ilegal", disse Serra.
O delegado André Dahmer, diretor da Adpesp (Associação dos Delegados de Polícia Civil do Estado de São Paulo), culpou o governo do Estado pelo confronto. "Nós não queremos guerra. O governo não quer diálogo. Ele [governo] quer guerra."
O presidente do Sindicato da Polícia Civil de Campinas e região, Aparecido de Carvalho, também acusou o governo estadual pelo confronto. "É uma irresponsabilidade sem tamanho um governador, que se diz democrático, sabendo que homens armados vêm reivindicar salários e dignidade, colocar a PM, que é uma co-irmã, armada, correndo todos os riscos. O saldo disso poderiam ser diversas mortes de policiais."
Greve
Os policiais que participaram do protesto podem ser punidos pelas suas corporações, de acordo com Serra. "Quem cometeu ilegalidade, sem dúvida, será punido e isso tudo será apurado", afirmou o governador.
| Moacyr Lopes Junior/Folha Imagem |
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| Policiais civis em greve e policiais militares entram em confronto nas proximidades da sede do governo do Estado de São Paulo |
A reivindicação dos policiais em greve, porém, foi considerada legítima pelo governador durante a entrevista. Serra afirmou que "em nenhum momento se deixou de negociar reivindicações".
"É legítimo que todos reivindiquem. Merecem melhores salários a polícia, saúde, educação, bombeiros, e o governo, dentro de suas possibilidades, tem negociado, tem atendido muitas reivindicações. Fez uma boa proposta, que nós consideramos, para a Polícia Civil e para a PM, porque também temos limitações de recursos, não se pode fazer uma coisa irresponsável, sobretudo diante dessa crise internacional", alegou o governador.
No entanto, em um evento no no início da tarde de hoje, no Memorial da América Latina, o governador reafirmou que não haveria negociação enquanto os policiais mantivessem a greve.
"Gostaríamos de um acordo, mas com greve o acordo não é viável. Negociações em greve não são viáveis. O governo fez sua proposta clara, está disposta a mandar para a Assembléia Legislativa dentro das possibilidades existentes", afirmou Serra.
Durante a entrevista à TV, Serra disse que o fim da greve depende da transigência dos policiais grevistas. "Dizem que não houve reajuste desde 1995. Isso não é verdade. A questão está no espírito público, que invoco neste momento, da nossa polícia, que é uma corporação muito boa, a Civil e a PM. São Paulo é um Estado onde mais a criminalidade cai. Puxamos a média brasileira para baixo. Isso é o que queremos preservar. Por isso queremos entendimento, sem faca no pescoço".
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Especial




Tudo que posso afirmar é ele e sua corja de ladrões merecem passar por um terço do que nossos policiais passam todos os dias e apenas depois terão qualificação para julgar a atitude extrema que nossos valorosos prestadores foram obrigados a tomar.
Mais uma vez estes seres de abissal coragem mostraram sua força e determinação.
Aos policiais civis deste estado que empenho total apoio de admiração meus parabéns pela intrepidez que lidaram com mais este obstáculo.
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