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Cotidiano
17/10/2008 - 10h45

Polícia devolve refém para criminoso em Santo André (SP); medida é criticada

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CAROLINA FARIAS
CLAYTON FREITAS
da Folha Online

Desde a última segunda-feira (13), uma adolescente de 15 anos é mantida refém pelo ex-namorado em um apartamento em Santo André (Grande São Paulo). Ontem, a amiga da garota, que também havia sido mantida refém e foi libertada na noite de terça, voltou ao apartamento para supostamente auxiliar nas negociações. O procedimento, feito com o consentimento da Polícia Militar, quebra as regras para esse tipo de situação, segundo o especialista em segurança pública José Vicente da Silva Filho, coronel da reserva da PM de São Paulo e ex-secretário Nacional de Segurança Pública.

"É incomum. Não sei o que está por trás disso, mas temos algumas regras para esse tipo de situação e uma delas é evitar expor pessoas a uma situação de altíssimo risco. Mesmo que seja para aproximar para conversar, para tentar negociar com a pessoa armada. A suposição é de que essa pessoa armada possa atirar", disse.

16.out.2008/Folha Imagem
Policiais do Gate negociam libertação de adolescente rendida pelo ex-namorado em Santo André, na Grande São Paulo
Policiais do Gate negociam libertação de adolescente rendida pelo ex-namorado em Santo André, na Grande São Paulo

Inconformado com o fim do relacionamento, Lindemberg Fernandes Alves, 22 rendeu a ex-namorada por volta das 13h30 da última segunda. No apartamento também estavam a garota que retornou ao imóvel e outros dois adolescentes, libertados no mesmo dia.

De acordo com Silva Filho, o recomendável em situações semelhantes é evitar que pessoas sem preparo --ele citou parentes, padres ou pastores, juízes e advogados-- entrem na linha de negociação, que deve ser feita por pessoas altamente profissionais.

"Entrar uma quarta parte nessa história deve se evitar de toda maneira, até porque ele [Alves] já demonstrou ao longo desses três dias que ele está sendo muito resistente às tentativas, inclusive, de parentes. Então colocar mais um. Se já não funcionou, porque funcionaria agora? Submeter uma adolescente a um grau de risco altíssimo como é esse caso. Não sei que está por trás, mas é incomum e deve ser evitada."

A polícia tem de imaginar, nessa situação, que o pior pode acontecer e, por isso, não pode submeter outras pessoas ao risco, de acordo com o especialista. Para Silva Filho, esse tipo de cárcere privado é o que os especialistas chamam de "intermediário".

"Existem três tipos. Você tem um criminoso comum que normalmente se entrega em três, cinco horas. Tem o tipo que não vai se entregar nunca, que é o radical, o terrorista, e aí não tem negociação. E o intermediário que são pessoas perturbadas, como é o caso desse moço. Ele tem alguns momentos em que acena com a possibilidade de se entregar, de encerrar o problema, daqui a pouco ele tem uma recaída e volta a radicalizar, ameaçar."

Conselho Tutelar

O advogado Ariel de Castro Alves, secretário-geral do Condepe (Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana de São Paulo), afirma que acionou o Conselho Tutelar para acompanhar o caso, devido ao retorno da menina ao apartamento.

"Nós entendemos que a operação está sendo muito mal conduzida", afirmou.

Castro Alves disse, ainda, que pediu ao ouvidor da polícia para averiguar o caso. O advogado, que esteve no local das negociações na noite de ontem, afirmou que esperava conversar com o comandante do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais) para entender o motivo que levou a PM a autorizar o retorno da adolescente ao apartamento.

 

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