Rapaz que mantém ex-namorada refém não deve ir para a cadeia, diz advogado
CLAYTON FREITAS
da Folha Online
O advogado Eduardo Lopes, defensor do ajudante de produção Lindemberg Fernandes Alves, 22, afirmou nesta sexta-feira que seu cliente não deve ir para a cadeia. O rapaz mantém a ex-namorada e uma amiga dela, ambas de 15 anos, reféns em um apartamento de um conjunto residencial de Santo André (Grande São Paulo) desde a última segunda-feira (13).
Analisando preliminarmente a situação, Lopes afirmou que os crimes a que seu cliente está sujeito são: privação de liberdade, porte ilegal de arma e disparo. Por esses crimes, o advogado disse que Alves deverá ser condenado a no máximo três anos de prisão, o que, em tese, o livraria da cadeia.
| 16.out.2008/Folha Imagem |
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| Policiais do Gate negociam libertação de adolescente rendida pelo ex-namorado em Santo André, na Grande São Paulo |
Segundo o defensor, qualquer magistrado que venha a analisar o caso deve levar em consideração que o jovem não possui antecedentes criminais, trabalha, possui residência fixa e está agindo sob forte emoção. "Eu pretendo que ele [Alves] peça minha presença e saia comigo, abraçado, para definir a situação. Quero levá-lo ao 6º DP."
Este caso é diferente de todos os outros que ele costuma atender, segundo Lopes. Na maioria dos casos os seqüestradores fazem exigências que incluem vantagens financeiras e outros meios. "A única exigência é ficar ao lado da mulher amada. É uma prova de amor", disse.
Para Lopes, seu cliente não é comprometido pelo crime e não tem conhecimento jurídico para avaliar o que está acontecendo. "Ele não tem consciência do ato que está praticando. Quer apenas retomar o namoro."
O advogado elogiou a atuação do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais), da Polícia Militar, negocia a rendição, mas se recusou a comentar a decisão do grupo em devolver uma das reféns ao rapaz.
Expulsão
Na quinta-feira, o pai e o avô paterno de uma das meninas mantidas reféns por Alves foram expulsos da escola estadual utilizada como base da PM, ao lado do edifício onde acontecem as negociações. Os parentes da amiga da ex-namorada do rapaz afirmaram que não foram consultados pelos policiais sobre o retorno da garota de 15 anos ao cárcere.
Quando Alves entrou no apartamento, na tarde de segunda, ele rendeu, além da ex-namorada, uma amiga dela e dois garotos. Os adolescentes foram libertados no mesmo dia, e a amiga da vítima havia sido liberada na terça-feira. A garota foi enviada para negociar com o acusado e acabou sendo rendida novamente por Alves ontem.
O pai e o avô da garota dizem que foram pegos de surpresa quando souberam que ela voltaria ao apartamento. Eles afirmam que discutiram com policiais do Batalhão de Choque e foram retirados a força do local.
O coronel Eduardo Félix, do Batalhão de Choque da PM e um dos que chefiam as negociações, disse ter autorizado a ida da menina por acreditar que, assim, Lindemberg se entregaria sem ferir a ex-namorada --o que não ocorreu. Para especialistas, a medida foi um erro.
Na manhã desta sexta-feira, o pai e o avô paterno estavam na área reservada para a imprensa (bolsão de isolamento que entre ontem e hoje foi ampliado de 50 metros para 200 metros). Abalados, os parentes se negam a dar entrevista.
Preocupação
Na quarta-feira (15), Alves conversou rapidamente com a reportagem, por telefone. "Tô preocupado com todo mundo", disse ele sobre sua família. "Na situação que eu 'tô' não dá para parar e pensar nisso", disse Alves ao ser questionado pela Folha Online sobre o que pretende fazer após libertar a ex-namorada.
Inconformado com o fim do namoro, Alves invadiu o apartamento onde mora a ex-namorada por volta de 13h30 do último dia 13. De acordo com familiares, eles namoraram por três anos e terminaram há um mês, por iniciativa dele. Ela teria se recusado a reatar.
Ele está armado com dois revólveres e tem um saco cheio de balas, segundo a polícia. Desde o início do seqüestro, ele disparou quatro tiros em direção às pessoas que acompanham a movimentação --dois na noite de segunda e dois na terça-feira. Ninguém se feriu.
O caso de cárcere privado é o mais longo no Estado. Até então, o mais longo caso em SP havia sido registrado em abril do ano passado, quando Gleivson Flávio de Sales, que fugia da polícia, invadiu uma casa e manteve uma mulher e duas crianças reféns por 56 horas, em Campinas (SP).
Com Folha de S.Paulo e Agência Folha
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