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Cotidiano
17/10/2008 - 13h30

Rapaz mantém ex-namorada refém há 96 horas em Santo André (SP)

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da Folha Online

Desde a tarde da tarde da última segunda-feira (13), uma menina de 15 anos é mantida refém pelo ex-namorado em um apartamento em Santo André (Grande São Paulo). Um advogado de Lindemberg Fernandes Alves, 22, foi ao local pela manhã e conversou com a família.

Ontem, houve um retrocesso nas negociações. Uma amiga da adolescente, também de 15 anos e que já havia ficado em cárcere privado por 33 horas, voltou ao apartamento porque a polícia aceitou uma exigência do criminoso. Ele havia se comprometido a soltar as duas em seguida, o que não aconteceu.

16.out.2008/Folha Imagem
Policiais do Gate negociam libertação de adolescente rendida pelo ex-namorado em Santo André, na Grande São Paulo
Policiais do Gate negociam libertação de adolescente rendida pelo ex-namorado em Santo André, na Grande São Paulo

O coronel Eduardo Félix, do Batalhão de Choque da PM e um dos que chefiavam as negociações, disse ter autorizado a ida da menina por acreditar que, assim, Alves se entregaria sem ferir a ex-namorada. O coronel afirmou ter recebido autorização da mãe da garota para usá-la na negociação. O pai da menina não foi consultado, segundo familiares.

A estratégia foi criticada. O procedimento quebra as regras para esse tipo de situação, segundo o especialista em segurança pública José Vicente da Silva Filho, coronel da reserva da PM de São Paulo e ex-secretário Nacional de Segurança Pública.

Este é o mais longo caso de cárcere privado do Estado. Como sugestão para o fim do impasse, leitores enviaram e-mails à Folha Online questionando por que a polícia não adota outras estratégias para libertar as meninas, como colocar tranqüilizantes na comida enviada ao apartamento.

"O tranqüilizante ou sonífero na comida não é indicado numa situação dessas, pois só poderia ser administrado por um médico, já que têm medicamentos controlados, e a PM não tem preparo para enfrentar este tipo de situação. Além disso, a pessoa teria que ser medicada antes de ingerir a medicação, pois pode ter sérios problemas de saúde, que vai de uma simples reação alérgica até uma parada cardíaca", disse Silva Filho. "Definitivamente, esse procedimento não faz parte da metodologia utilizada pela polícia."

15.out.08/Folha Imagem
Garota mantida refém pelo ex-namorado usa corda feita com lençóis para pegar alimentos em Santo André, na Grande São Paulo
Garota mantida refém pelo ex-namorado usa corda feita com lençóis para pegar alimentos em Santo André, na Grande São Paulo

Nesta semana, a mãe da menina mantida refém passou mal ao ver a garota içar alimentos pela janela, por meio de uma corda feita com lençóis.

Refém

Alves rendeu a ex-namorada por volta das 13h30 de segunda-feira. Com ela, estavam no apartamento mais três amigos, que estudavam. Dois garotos foram libertados na noite de segunda. A garota que retornou ao apartamento havia sido libertada na noite de terça (14).

O advogado Eduardo Lopes, defensor de Alves, disse nesta sexta que seu cliente não deve ir para a cadeia.

Analisando preliminarmente a situação, Lopes afirmou que os crimes a que seu cliente está sujeito são: privação de liberdade, porte ilegal de arma e disparo. Por esses crimes, o advogado disse que Alves deverá ser condenado a no máximo três anos de prisão, o que, em tese, o livraria da cadeia.

Negociação

Segundo a Polícia Militar, o rapaz demonstra "picos de agressividade" durante as negociações. Desde o início do seqüestro, ele disparou quatro tiros em direção às pessoas que acompanham a movimentação. Ninguém se feriu.

Na quarta-feira (15), Alves conversou rapidamente com a Folha Online, por telefone. "Tô preocupado com todo mundo", disse ele sobre sua família.

"Na situação que eu 'tô' não dá para parar e pensar nisso", disse Alves ao ser questionado pela Folha Online na tarde de quarta-feira sobre o que pretende fazer após libertar a ex-namorada.

 

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