Após cem horas, polícia invade apartamento onde garota era mantida refém em Santo André
da Folha Online
Atualizado às 18h37.
Terminou na noite desta sexta-feira o mais longo caso de cárcere privado em São Paulo. Após cem horas, a polícia entrou no apartamento onde o ajudante de produção Lindemberg Fernandes Alves, 22, mantinha a ex-namorada e a amiga dela, ambas de 15 anos, reféns, em um apartamento em Santo André (Grande São Paulo). As duas meninas ficaram feridas e foram encaminhadas ao hospital municipal da cidade.
Por volta das 18h10, houve uma explosão --aparentemente, uma bomba de efeito moral foi jogada no apartamento. Pouco depois, policiais militares do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais) entraram no apartamento --alguns pela janela. Foram ouvidos três estampidos, semelhantes a tiros.
| Joel Silva /Folha Imagem |
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| Policiais militares invadem apartamento onde Lindemberg Fernandes Alves manteve a ex-namorada e uma amiga dela reféns |
Não há confirmação sobre o estado de saúde das meninas. Segundo informações preliminares do Corpo de Bombeiros, a amiga da garota foi baleada e levada a um hospital da região.
Alves foi levado em um carro da polícia para uma delegacia da região.
Refém
O rapaz estava inconformado com o fim da relação de três anos com a garota. Segundo familiares, o namoro terminou há aproximadamente um mês. Alves havia invadido o apartamento onde a ex-namorada estudava com três amigos por volta das 13h30 de segunda-feira (13). Dois garotos foram libertados na noite de segunda. Uma amiga da adolescente ficou 33 horas em cárcere privado, mas voltou ao apartamento na manhã de quinta (16) porque a polícia aceitou uma exigência do criminoso. Ele havia se comprometido a soltar as duas em seguida, o que não aconteceu.
| Rivaldo Gomes/Folha Imagem |
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| Lindemberg Fernandes Alves sai de apartamento após manter a ex-namorada refém por cem horas em Santo André, Grande SP |
Por volta das 14h10 desta sexta, o promotor Augusto Rossini e o advogado Eduardo Lopes, que defende Alves, afirmaram que seria dada garantia de integridade física para que o rapaz libertasse a ex-namorada e a amiga dela.
De acordo com ambos, a garantia de integridade física foi uma exigência de Alves para libertar as meninas. Ele também teria pedido redução de pena para se render.
Segundo a Polícia Militar, o rapaz demonstrou "picos de agressividade" durante as negociações. Desde o início do seqüestro, ele disparou quatro tiros em direção às pessoas que acompanham a movimentação.
Negociação
Ontem, houve um retrocesso nas negociações. A amiga da adolescente, que já havia ficado em cárcere privado por 33 horas, voltou ao apartamento porque a polícia aceitou uma exigência do criminoso. Ele havia se comprometido a soltar as duas em seguida, o que não aconteceu.
O coronel Eduardo Félix, do Batalhão de Choque da PM e um dos que chefiavam as negociações, disse ter autorizado a ida da menina por acreditar que, assim, Alves se entregaria sem ferir a ex-namorada. O coronel afirmou ter recebido autorização da mãe da garota para usá-la na negociação. O pai da menina não foi consultado, segundo familiares.
A estratégia foi criticada. O procedimento quebra as regras para esse tipo de situação, segundo o especialista em segurança pública José Vicente da Silva Filho, coronel da reserva da PM de São Paulo e ex-secretário Nacional de Segurança Pública.
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