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Cotidiano
17/10/2008 - 21h46

PM agiu corretamente ao invadir apartamento onde rapaz mantinha refém, diz especialista

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CAROLINA FARIAS
da Folha Online

Policiais militares do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais) não erraram em invadir nesta sexta-feira o apartamento onde Lindemberg Fernandes Alves, 22, mantinha a ex-namorada e uma amiga dela reféns, segundo o especialista em segurança pública Jorge da Silva, 65, coronel da reserva da Polícia Militar do Rio e ex-secretário de Direitos Humanos daquele Estado.

As duas adolescentes saíram baleadas --a jovem mantida refém levou dois tiros --um na cabeça e outro na virilha-- e está em estado gravíssimo. A amiga foi atingida na boca. O coronel Eduardo Félix, comandante do batalhão de choque, a quem o Gate é subordinado, disse que o cativeiro foi invadido após os policiais ouvirem um disparo.

"No momento em que só há uma pessoa armada dentro do apartamento. Se realmente eles [policiais] estão em condições de entrar, já tinham naturalmente planejado essa ação anteriormente para essa eventualidade e se realmente ouviram esse tiro".

Segundo o coronel, a polícia agiu corretamente diante da certeza de que o rapaz não estava disposto a se entregar e porque o jovem já havia atirado e maltratado a adolescente.

Joel Silva /Folha Imagem
Policiais militares invadem apartamento onde Lindemberg Fernandes Alves manteve a ex-namorada e uma amiga dela reféns
Policiais militares invadem apartamento onde Lindemberg Fernandes Alves manteve a ex-namorada e uma amiga dela reféns

Para Silva, o erro da polícia neste caso foi o Gate ter permitido a volta da amiga da refém para o cativeiro. A garota, também de 15 anos, havia sido libertada na noite de terça-feira (14), mas voltou para o apartamento ontem (16) pela manhã para supostamente auxiliar nas negociações.

"Foi um erro crasso. Contraria todas as normas relativas a esse tipo de ação das organizações de operações especiais. Você trabalha com alguns princípios. Negocia, mas algumas coisas são inegociáveis. A volta de uma pessoa que já foi liberada e principalmente se tratando de uma menina de 15 anos, isso é inegociável. Eles não podiam ter deixado voltar. Não existe a possibilidade de ela entrar na negociação. A adolescente não tem discernimento suficiente para participar de negociação alguma com essa idade", afirmou Silva.

Segundo a assessoria do hospital municipal de Santo André, onde as meninas estão internadas, o estado de saúde da ex-namorada de Alves é gravíssimo. A amiga não corre risco de morte.

Invasão

Foi o mais longo caso de cárcere privado em São Paulo.

Por volta das 18h10, houve uma explosão --aparentemente, uma bomba de efeito moral foi jogada no apartamento. Pouco depois, policiais militares do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais) entraram no apartamento --alguns pela janela. Foram ouvidos três estampidos, semelhantes a tiros.

Rivaldo Gomes/Folha Imagem
Lindemberg Fernandes Alves sai de apartamento após manter a ex-namorada refém por cem horas em Santo André, Grande SP
Lindemberg Fernandes Alves sai de apartamento após manter a ex-namorada refém por cem horas em Santo André, Grande SP

Pouco depois, as meninas foram retiradas do apartamento, e Alves foi levado em um carro da polícia para uma delegacia da região.

Reféns

O rapaz estava inconformado com o fim da relação de três anos com a garota. Segundo familiares, o namoro terminou há aproximadamente um mês.

Alves havia invadido o apartamento onde a ex-namorada estudava com três amigos por volta das 13h30 de segunda-feira (13). Dois garotos foram libertados na noite de segunda. Uma amiga da adolescente ficou 33 horas em cárcere privado, mas voltou ao apartamento na manhã de quinta (16) porque a polícia aceitou uma exigência do criminoso. Ele havia se comprometido a soltar as duas em seguida, o que não aconteceu.

Integridade

Por volta das 14h10 desta sexta, o promotor Augusto Rossini e o advogado Eduardo Lopes, que defende Alves, afirmaram que seria dada garantia de integridade física para que o rapaz libertasse a ex-namorada e a amiga dela.

De acordo com ambos, a garantia de integridade física foi uma exigência de Alves para libertar as meninas. Ele também teria pedido redução de pena para se render.

 

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