PM agiu corretamente ao invadir apartamento onde rapaz mantinha refém, diz especialista
CAROLINA FARIAS
da Folha Online
Policiais militares do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais) não erraram em invadir nesta sexta-feira o apartamento onde Lindemberg Fernandes Alves, 22, mantinha a ex-namorada e uma amiga dela reféns, segundo o especialista em segurança pública Jorge da Silva, 65, coronel da reserva da Polícia Militar do Rio e ex-secretário de Direitos Humanos daquele Estado.
As duas adolescentes saíram baleadas --a jovem mantida refém levou dois tiros --um na cabeça e outro na virilha-- e está em estado gravíssimo. A amiga foi atingida na boca. O coronel Eduardo Félix, comandante do batalhão de choque, a quem o Gate é subordinado, disse que o cativeiro foi invadido após os policiais ouvirem um disparo.
"No momento em que só há uma pessoa armada dentro do apartamento. Se realmente eles [policiais] estão em condições de entrar, já tinham naturalmente planejado essa ação anteriormente para essa eventualidade e se realmente ouviram esse tiro".
Segundo o coronel, a polícia agiu corretamente diante da certeza de que o rapaz não estava disposto a se entregar e porque o jovem já havia atirado e maltratado a adolescente.
| Joel Silva /Folha Imagem |
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| Policiais militares invadem apartamento onde Lindemberg Fernandes Alves manteve a ex-namorada e uma amiga dela reféns |
Para Silva, o erro da polícia neste caso foi o Gate ter permitido a volta da amiga da refém para o cativeiro. A garota, também de 15 anos, havia sido libertada na noite de terça-feira (14), mas voltou para o apartamento ontem (16) pela manhã para supostamente auxiliar nas negociações.
"Foi um erro crasso. Contraria todas as normas relativas a esse tipo de ação das organizações de operações especiais. Você trabalha com alguns princípios. Negocia, mas algumas coisas são inegociáveis. A volta de uma pessoa que já foi liberada e principalmente se tratando de uma menina de 15 anos, isso é inegociável. Eles não podiam ter deixado voltar. Não existe a possibilidade de ela entrar na negociação. A adolescente não tem discernimento suficiente para participar de negociação alguma com essa idade", afirmou Silva.
Segundo a assessoria do hospital municipal de Santo André, onde as meninas estão internadas, o estado de saúde da ex-namorada de Alves é gravíssimo. A amiga não corre risco de morte.
Invasão
Foi o mais longo caso de cárcere privado em São Paulo.
Por volta das 18h10, houve uma explosão --aparentemente, uma bomba de efeito moral foi jogada no apartamento. Pouco depois, policiais militares do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais) entraram no apartamento --alguns pela janela. Foram ouvidos três estampidos, semelhantes a tiros.
| Rivaldo Gomes/Folha Imagem |
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| Lindemberg Fernandes Alves sai de apartamento após manter a ex-namorada refém por cem horas em Santo André, Grande SP |
Pouco depois, as meninas foram retiradas do apartamento, e Alves foi levado em um carro da polícia para uma delegacia da região.
Reféns
O rapaz estava inconformado com o fim da relação de três anos com a garota. Segundo familiares, o namoro terminou há aproximadamente um mês.
Alves havia invadido o apartamento onde a ex-namorada estudava com três amigos por volta das 13h30 de segunda-feira (13). Dois garotos foram libertados na noite de segunda. Uma amiga da adolescente ficou 33 horas em cárcere privado, mas voltou ao apartamento na manhã de quinta (16) porque a polícia aceitou uma exigência do criminoso. Ele havia se comprometido a soltar as duas em seguida, o que não aconteceu.
Integridade
Por volta das 14h10 desta sexta, o promotor Augusto Rossini e o advogado Eduardo Lopes, que defende Alves, afirmaram que seria dada garantia de integridade física para que o rapaz libertasse a ex-namorada e a amiga dela.
De acordo com ambos, a garantia de integridade física foi uma exigência de Alves para libertar as meninas. Ele também teria pedido redução de pena para se render.
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