Agressor provocou invasão de apartamento em Santo André, diz PM
da Folha Online
A ação do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais) no desfecho do caso de cárcere privado em Santo André (Grande São Paulo), que resultou em duas adolescentes baleadas, foi provocada por Lindemberg Fernandes Alves, 22, segundo o coronel Eduardo Félix, comandante do Batalhão de Choque da PM e um dos que chefiaram as negociações. Alves manteve a ex-namorada por cem horas como refém.
"Uma operação sempre implica risco de vida. Nas inúmeras ocorrências do Gate, há muitos sucessos. O resultado ruim dessa ocorrência não foi produzido pela ação do Gate, mas por Lindemberg", disse.
| Rivaldo Gomes/Folha Imagem |
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| Lindemberg Fernandes Alves sai de apartamento após manter a ex-namorada refém por cem horas em Santo André, Grande SP |
"O que provocou a invasão foi o próprio agressor. O Gate não atirou. Fizemos de tudo para preservar a vida dos três."
O coronel ponderou que o rapaz apresentou ao longo de toda a negociação um quadro de instabilidade emocional, que se repetiu horas antes da invasão do apartamento, na tarde de sexta-feira (17).
"Desde o início, como se tratava de um rapaz sofrendo de crise amorosa por uma adolescente de 15 anos, a política do Gate foi a preservação da vida e a negociação. Foi descartada uma ação, a não ser que Lindemberg provocasse um tiro de comprometimento".
Reféns
Inconformado com o fim do relacionamento de três anos, Lindemberg Fernandes Alves decidiu render a ex-namorada na última segunda-feira (13). Na ocasião, ela estava em companhia de três amigos --dois garotos liberados no mesmo dia e a menina que, apesar de ter sido libertada 33 horas depois, retornou ao apartamento a quinta-feira (16).
A Polícia Militar invadiu o apartamento por volta das 18h10 desta sexta. No mesmo horário, a Polícia Militar reunia a imprensa para uma entrevista perto do prédio --segundo a corporação, seria para comunicar o impasse nas negociações.
Segundo o comandante da PM, Lindemberg fez uma série de exigências ontem (17), que foram atendidas, para garantir a liberação das reféns e sua entrega.
| Joel Silva/Folha Imagem |
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"Negociamos o momento em que sairia [Lindemberg]. Ele disse que em breve sairia. Em 1 hora, voltou a se comunicar com capitão [da PM] dizendo que tinha muita coisa para tratar com ela [a ex-namorada]. Esse comportamento foi a semana inteira. Mas neste momento apresentou sintoma de depressão muito forte e pediu que todos saíssem e que o negociador fosse substituído", disse Félix.
O coronel negou falhas na operação e disse que "o agressor não cedia em nada".
"O Gate é um dos grupos melhor preparado. Eu tenho de confiar na minha equipe. Eles só invadiram porque ouviram um tiro no interior do apartamento. (...) Ninguém tomou decisão sozinho. Esse final, com duas adolescentes baleadas, não foi produzido pelo Gate, que exaustivamente tentou negociar".
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