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Cotidiano
18/10/2008 - 23h31

"Quero que você invada", afirma rapaz que manteve duas reféns; ouça

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Colaboração para a Folha Online

A Polícia Militar de São Paulo disponibilizou neste sábado à imprensa um DVD com gravações da negociação com o ajudante de produção Lindemberg Fernandes Alves, 22. As gravações não esclarecem, porém, a principal dúvida sobre o caso: se os policiais entraram no apartamento após ser feito um disparo ou se o tiro ocorreu após a invasão do imóvel, informa a edição deste domingo (19) da Folha de S.Paulo.

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A polícia diz que só entrou quando Eloá foi alvejada, mas, pelas imagens das TVs não é possível ouvir o disparo. Jornalistas também afirmam ter escutado tiros só após o estrondo.

Nas imagens da televisão é possível ouvir três disparos após o clarão. A polícia afirma que dois tiros atingiram Eloá. O terceiro, Nayara. As outras duas cápsulas encontradas seriam de um tiro feito de manhã que não motivou ação da PM e um outro, na ação (teria acertado um escudo).

Neste sábado, policiais civis e peritos espalhavam a informação de que não houve tiro antes da invasão, baseado em uma suposta conversa com Nayara, no hospital, e outra com Lindemberg. Nada está no papel. PMs dizem que é mentira e que o conflito em razão da greve dos policias contaminou o caso.

DVD

O DVD com as negociações contrasta momentos de tranqüilidade e de extremo nervosismo. Na terça-feira, segundo dia de cárcere, o rapaz diz: "vou matar ela e me matar" e "não tenho nada a perder". Naquele mesmo dia, o rapaz se compromete a resolver a questão em 40 minutos desde que a polícia religasse a luz do imóvel.

O negociador Adriano Giovanini responde que "você é responsável por essas vidas. Estamos te estendendo a mão." Lindemberg retruca: "não vou sair daqui vivo". Durante essa conversa é possível ouvir uma voz feminina gritando "Pára, pára".

Na manhã de 16 de outubro, o penúltimo dia, Lindemberg conversa com o irmão Douglas e se compromete a sair com Eloá na manhã de sexta. Ao ser questionado se dá a sua palavra, responde bastante nervoso que "já falei que dou". Posteriormente, às 12:46, conversa tranqüilamente com a mãe de Naiara, Andréa, e diz que "sua filha já vai descer". A mãe da menina responde que "acredito muito em você, sempre acreditei".
Naquele momento, a polícia dizia que a menina não estava lá como refém.

Na sexta à tarde, em dado momento, Lindemberg dizia que não poderia falar com o negociador, pois tinha de "desenrolar com essa mina primeiro. Vou catar até o íntimo dela" [queria descobrir algo].

Indagado se era a hora de falar com ela sobre esse assunto, responde: Quando vai ser o momento? Quando chegar na cadeia". A conversa prossegue e ele diz: "a coisa tá piorando".

Na última gravação disponibilizado, pouco antes do desfecho, o rapaz diz: "invade essa porra logo". O negociador responde que não tem nada disso. Ele replica: "quero que você invada. Tô falando para você invadir". Na seqüência, pede ao policial que saia da negociação. "Sai mano, fala que tá cansado."

Ouça, abaixo, trechos das negociações:

Quarta-feira, 15: irmão de Eloá conversa com Lindemberg

Quarta-feira, 15:

Quarta-feira, 15: Lindemberg reclama do comportamento de Eloá

Quarta-feira, 15:

Quarta-feira, 15: Lindemberg pede a negociador comida para Eloá

Quarta-feira, 15:

Sexta-feira, 17: Lindemberg diz que há um "anjinho" e um "diabinho" lhe dizendo o que fazer

Sexta-feira, 17:

Sexta-feira, 17: Rapaz reclama de Eloá com o promotor Augusto Rossini

Sexta-feira, 17:

Sexta-feira, 17: Lindemberg pede a negociador para que saia do caso

Sexta-feira, 17:

Sexta-feira, 17: Rapaz diz que é uma pessoa "sem coração"

Sexta-feira, 17:

Sexta-feira, 17: "Gente lá fora pagara por isso", diz Lindemberg

Sexta-feira, 17:

Sexta-feira, 17: "Faço isso por amor"

Sexta-feira, 17:

Invasão

A Polícia Militar afirma que decidiu invadir o apartamento após o rapaz atirar. "O que provocou a invasão foi o próprio agressor. O Gate não atirou. Fizemos de tudo para preservar a vida dos três", disse neste sábado o coronel Eduardo Félix, comandante do Batalhão de Choque da PM.

A adolescente saiu do apartamento ferida na virilha e na cabeça. Uma amiga que também estava no imóvel ficou ferida por um tiro no rosto, foi operada e não corre risco de morte.

Segundo o coronel, Alves deu o primeiro tiro e, quando a equipe do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais) entrou no apartamento, o rapaz descarregou a arma.

Félix defendeu a atuação da equipe no desfecho do caso. "Não houve erro. Todas as decisões foram tomadas em equipe", afirmou o PM.

Preso, o ex-namorado da adolescente foi levado neste sábado para o CDP (Centro de Detenção Provisória) de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo. Segundo a polícia, ele foi levado ontem à noite a uma delegacia de Santo André, mas se recusou a falar sobre o caso.

Comentários dos leitores
Valdir Antonelli (5) 11/07/2008 21h21
Valdir Antonelli (5) 11/07/2008 21h21
SAO PAULO / SP
Pelo jeito a empresa nunca mais vai poder montar stands, parquinhos ou fazer divulgação né? Me sensibilizo com as famílias que perderam alguém no voo, mas uma coisa não tem nada a ver com a outra. Juro que quando li a manchete pensei que a TAM tivesse montado algo no local do acidente, mas depois que vi que era em um shopping achei absurdo os comentários e o tom da reportagem. 4 opiniões
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Marina Boschini (1) 11/07/2008 20h06
Marina Boschini (1) 11/07/2008 20h06
CAMPINAS / SP
Eu compreendo o sentimento dos familiares, mas devo discordar. Faz 3 anos que minha mãe faleceu, todos os dias sinto sua falta, mas em épocas como o dia das mães é ainda pior; deveria eu ficar indignada com todas as propagandas veiculadas perto da data? Não seria uma insensibilidade das empresas com todas as pessoas que perderam suas mães? Sinto muito, mas uma coisa não leva a outra. Por acaso, as famílias só se lembram de seus parentes em Julho? Faz parecer que se um parente das vítimas passasse perto desse parquinho em Outubro ele não se incomodaria. Lutem sim pelos seus direitos, mas com argumentos válidos. 9 opiniões
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Claudio Koseki (1) 11/07/2008 18h28
Claudio Koseki (1) 11/07/2008 18h28
OSASCO / SP
Me desculpe, não li todos os comentários, mas, realmente, o que uma coisa tem a ver com a outra?
Agora, por causa do acidente a TAM deve fechar as portas, colocar todos os colaboradores na rua, cair no ostracismo, não mais patrocinar eventos, enfim.
Estamos há menos de uma semana para que o acidente complete 1 ano, creio que haja uma certa, vamos dizer, apimentada na reportagem. É pertinente uma matéria deste tipo às vésperas deste acidente que chocou o Brasil.
Agora, leram a reportagem, sobre a "lajona" em CGH para o pátio VIP? http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u421333.shtml . Olha, de forma alguma provocando os familiares das vítimas do JJ3054, mas com todo o respeito, cadê a mesma energia para atacarem mais esta brilhante atuação do ministro Nelson Jobim?
Aliás, apenas por informação as mesmas pistas que os jatos do GTE (Grupo de Transporte Especial do qual o A319 presidencial faz parte) usam são as mesmas pistas das demais aeronaves e inclusive, se o Sr. Presidente está abordo de uma aeronave, o aeroporto tem suas operações comerciais suspensas temporariamente para que esta aeronave pouse ou decole.
Esta medida sim é uma provocação, não o Parquinho da TAM no Shopping.
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