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Cotidiano
20/10/2008 - 19h34

Velório de Eloá atrai pessoas de bairros distantes de SP; PM contabiliza 5.000 visitantes

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DEH OLIVEIRA
Colaboração para a Folha Online

Além de amigos, parentes e vizinhos, o velório de Eloá Cristina Pimentel, 15, atraiu pessoas de bairros distantes de São Paulo que ficaram sensibilizadas com o desfecho trágico do caso. Segundo a PM (Polícia Militar), até as 19h, 5.000 pessoas passaram pelo cemitério Jardim Santo André, em Santo André (Grande São Paulo), para homenagear a garota.

Eloá foi rendida por seu ex-namorado Lindemberg Fernandes Alves, 22, no dia 13 de outubro e, após passar cem horas refém em um apartamento no Jardim Santo André, em Santo André (Grande São Paulo), foi baleada na cabeça. Ela teve morte cerebral confirmada na noite de sábado (18).

Robson Ventura/Folha Imagem
Pessoas formam fila no cemitério Jardim Santo André, onde ocorre o velório do corpo da menina Eloá, 15, na Grande São Paulo
Pessoas formam fila no cemitério Jardim Santo André, onde ocorre o velório do corpo da menina Eloá, 15, na Grande São Paulo

Jocemar Ferreira de Souza, 33, e sua mulher, Kátia Moreira da Rocha, 28, saíram do Jardim da Saúde, zona sul de São Paulo, para passar no velório. Pai de duas filhas, uma de 12 anos e outra de 1 ano e 5 meses, o casal diz ter ficado muito sensibilizado com a história. "Isso foi um caso muito comovente", disse Souza, que afirmou ter acompanhado o caso apenas pela TV. "Temos duas filhas. Machuca bastante. A gente sente", disse Rocha.

Uma garota de 15 anos saiu de Guaianazes (zona leste de São Paulo) para ir ao velório. Ela contou que pegou, sozinha, três conduções para chegar ao cemitério. Segundo a garota, seus pais aprovaram essa "viagem" até Santo André.

As amigas Rose Paixão, 36, e Ana Paula Borges, 28, não conheceram Eloá pessoalmente. Mesmo assim decidiram sair do bairro onde moram, Cidade São Jorge, em Santo André, para prestar homenagens a Eloá.

Elas afirmam que ficaram impressionados com o caso por terem vivido uma situação semelhante à que Eloá viveu. Em abril do ano passado, elas foram vítimas de seqüestro relâmpago. "Me coloquei no lugar dela. Ficamos três horas em poder dos assaltantes", disse Borges. "Você não sabe como será o final. Nós, graças a Deus, saímos vivas", disse Paixão.

Amizade

Um amigo de Eloá que estudava na mesma escola da garota e que estava presente no velório disse que, ao ver o cativeiro na televisão, jamais pensou que o caso acabaria com a morte da adolescente. Segundo o garoto de 15 anos, Eloá chegou a comentar, quando namorava Lindemberg, que gostava muito do rapaz.

Para o garoto, Lindemberg tem que pagar pelo que fez. O menino diz acreditar que o ex-namorado de Eloá não a amava.

Ao lado do adolescente estava um outro amigo da vítima, de 14 anos. Ao contrário do colega, ele afirmou não ter acreditado num desfecho favorável do caso. Para o garoto, o estado emocional de Lindemberg não favorecia Eloá. Além de impressioná-lo, o cárcere privado deixou sua mãe bastante abalada. Ele contou que sua mãe trabalhava com a mãe de Eloá como cozinheira.

Crime

Eloá foi rendida por Lindemberg Fernandes Alves na segunda-feira da semana passada. Ele estava inconformado com o fim do namoro de três anos e rendeu também três amigos da adolescente --dois garotos libertados no mesmo dia e a amiga Nayara, que, após passar 33 horas em cárcere privado, voltou ao apartamento na quinta-feira (16) por exigência do rapaz.

Arquivo pessoal
Eloá Cristina Pimentel, 15, que foi baleada na cabeça após ficar cem horas rendida pelo ex-namorado em Santo André, na Grande SP
Eloá Cristina Pimentel, 15, que foi baleada na cabeça após ficar cem horas rendida pelo ex-namorado em Santo André, na Grande SP

A Polícia Militar afirma que decidiu invadir o apartamento na noite de sexta após o rapaz atirar. Segundo a Polícia Civil, ele responderá pela morte de Eloá e duas tentativas de homicídio --contra Nayara e um policial--, além de cárcere privado e periclitação de vida (por colocar a vida de pessoas em risco).

Eloá foi baleada na cabeça e teve morte cerebral confirmada na noite de sábado. A família autorizou a doação dos órgãos e, na madrugada desta segunda, foram retirados coração, pulmão, fígado, rins, pâncreas e córneas.

Nayara, baleada no rosto, passa bem, mas permanece internada no hospital municipal de Santo André. Ela receberá alta médica na próxima quarta-feira (22).

 

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