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Cotidiano
22/10/2008 - 20h35

Nayara nega ter ouvido tiro antes de a PM invadir apartamento, diz polícia

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da Folha Online

Atualizado às 22h36.

A menina Nayara Rodrigues,15, afirmou nesta quarta-feira, em depoimento à Polícia Civil, que não ouviu Lindemberg Alves, 22, atirar momentos antes de a Polícia Militar invadir o apartamento onde ela e a amiga, Eloá Cristina Pimentel, foram mantidas reféns, em Santo André (Grande São Paulo). De acordo com a polícia, a menina disse que Lindemberg disparou um tiro para o alto por volta das 15h ou das 16h, horas antes de a polícia entrar no local.

Três vizinhos do apartamento, no entanto, em depoimento prestado na terça (20), disseram à Polícia Civil ter ouvido tiros pouco antes da explosão ocorrida quando policiais do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais) invadiram o imóvel.

Nayara é considerada a principal testemunha do crime. Ela, porém, não soube precisar quem disparou o primeiro tiro após a invasão --se a Polícia Militar ou Lindemberg. A garota afirmou que tentou se proteger com um edredom quando a PM explodiu a porta para entrar no apartamento.

17.out.2008/Folha Imagem
Lindemberg Fernandes Alves, 22, é preso após PM invadir apartamento; ele manteve a ex-namorada refém por cem horas
Lindemberg Fernandes Alves, 22, é preso após PM invadir apartamento; ele manteve a ex-namorada refém por cem horas

Na noite desta quarta, após a divulgação do teor do depoimento de Nayara, o coronel Eduardo Félix, comandante do Batalhão de Choque --responsável pelo Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais)--, reiterou que os policiais invadiram o imóvel após Lindemberg atirar. "Ela [Nayara] estava como vítima em um local de crise. Pode estar confusa", afirmou o coronel sobre o depoimento da adolescente.

Para atestar a versão, a PM divulgou uma imagem gravada pela corporação na qual uma vizinha do prédio afirma ter ouvido um estampido antes da invasão. A testemunha mora no quarto andar do bloco 20 --o caso ocorreu no bloco 24.

No último sábado (18), o coronel defendeu a atuação da equipe do Gate e atribuiu a Lindemberg a decisão da PM de entrar no imóvel. "O que provocou a invasão foi o próprio agressor. O Gate não atirou. Fizemos de tudo para preservar a vida dos três", afirmou na ocasião.

O desfecho do caso ocorreu por volta das 18h10 de sexta-feira (17). Nayara foi ferida por um tiro no rosto. Eloá, 15, foi baleada na cabeça após passar cem horas refém do ex-namorado e não resistiu aos ferimentos.

Retorno ao cativeiro

Nayara prestou depoimento no hospital municipal de Santo André, após receber alta médica. De acordo com a polícia, a menina afirmou que a mãe não havia autorizado seu retorno ao cativeiro. Ela tinha, apenas, autorização para ir ao local e auxiliar as negociações por telefone.

À polícia, ela disse que viu a amiga com uma arma apontada para a cabeça, ao se aproximar da porta para falar com Lindemberg. O retorno ao cativeiro foi criticado por especialistas.

No depoimento desta quarta, a adolescente estava acompanhada pelo advogado da família, pelo Conselho Tutelar e por psicólogos e psiquiatras --que poderiam interferir, caso fosse necessário. O promotor Antonio Nobre Folgado também estava no local.

Recuperação

Nayara teve alta médica nesta quarta-feira. Antes, ela passou por um novo procedimento ortodôntico, para substituir o aparelho que havia sido colocado na última sexta para dar sustentabilidade dos dentes.

Na manhã desta quarta, o advogado Angelo Carbone Sobrinho, contratado pela família da adolescente, afirmou ainda que entrará com uma ação pedindo indenização de R$ 2 milhões do governo estadual.

DEH OLIVEIRA e CAROLINA FARIAS, da Folha Online. Colaborou LÍVIA MARRA, editora de Cotidiano da Folha Online

Comentários dos leitores
Marcelo Simas (1) 28/11/2008 10h25
Marcelo Simas (1) 28/11/2008 10h25
Acho q essa reconstituição podería ser feita sem a presença da menina Nayara, pois ela já sofreu o bastqante vendo a Amiga Eloá ser assassinada de forma cruel e covarde. Por favor a Polícia devería respeitar a dor dessa menina. 6 opiniões
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Estas simulações só servem para satisfazer a vontade de aparecer na TV das autoridades nelas envolvidas. Ridículo tanto gasto público com simualação do que deu mídia. Por que não simulam a ação dos batedores de carteira dentro dos ônibus também? 10 opiniões
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fabio rosa (1) 14/11/2008 10h03
fabio rosa (1) 14/11/2008 10h03
Não sei os motivos que leveram ao Lindenberg tomar aquela decisão tragica em Santo Andre...
Tb não sei os motivos que leveram o pai de Eloa a mudar de nome, de cidade... esquecendo apenas de mudar de rosto !
As noticias sobre esse caso está bem feita. Meus parabens !
Agora... é claro que o pai de Eloa está em perigo...
Cá entre nós... se eu fosse ele nem advogado colocaria no caso... Ninguém... nem mesmo os melhores do Brasil conseguiriam proteger a vida dele... nem os irmãos saberiam meu paradeiro...
No meu ver... ele só tem duas opções... Ou se entregar e sujeitar-se a torturas até a morte ou então... fazer uma reforma no rosto e, como de costume, usar um nome falso em outro estado qualquer ! Quem sabe isso ele já fez hein !!!
Ele pode ter se a rependido de tudo, mas um dia vai pagar... Se bem que acredito que ele já pagou com a morte de sua filha de apenas 15 anos !
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