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Cotidiano
23/10/2008 - 15h43

Pai de Eloá corre mais risco foragido do que preso, afirma Polícia Civil de Alagoas

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CLAYTON FREITAS
da Folha Online

Acusado de integrar uma espécie de esquadrão da morte que atuava em Alagoas, o ex-cabo da PM Everaldo Santos, pai da garota Eloá Pimentel, corre mais risco se permanecer foragido do que se entregar e for preso. A avaliação é de delegados da Polícia Civil de Alagoas que estiveram nesta quinta-feira em Santo André (Grande São Paulo), onde Eloá foi mantida em cárcere privado pelo ex-namorado e onde o pai dela foi visto pela última vez.

Everaldo é suspeito de integrar a chamada "gangue fardada", grupo acusado de praticar diversos crimes. O ex-cabo da PM é apontado como o "braço armado" do grupo e seria responsável por mortes a mando dos dirigentes da gangue.

"As pessoas são capazes de tudo. A mãe dele [Everaldo] já até deixou sua casa em Alagoas. Solto, ele corre mais risco, pois as pessoas que o contratavam para praticar crimes podem agora querê-lo morto", afirmou o delegado-geral adjunto da Polícia Civil de Alagoas, José Edson de Medeiros Freitas Júnior.

Nesta semana, Everaldo negou participação em crimes. "Sou inocente. Nunca matei ninguém. Nunca, nunca e nunca. Mas sou um arquivo vivo. Por isso quiseram e querem me liquidar", disse ele, tentando justificar a fuga do Nordeste, em 1993, assim que sua prisão preventiva foi decretada.

"Eu estava marcado para morrer"; ouça pai de Eloá

16.out.2008/Folha Imagem
Everaldo Pereira dos Santos, pai de Eloá; durante o cárcere privado da filha ele teve crise de hipertensão e foi socorrido
Everaldo Pereira dos Santos, pai de Eloá; durante o cárcere privado da filha ele teve crise de hipertensão e foi socorrido

Carta precatória

Freitas Júnior esteve em Santo André nesta quinta acompanhado da também delegada Luci Mônica Rabelo, diretora de estatística, informática e armas da Polícia Civil de Alagoas. Eles se reuniram com o delegado da SIG (Setor de Investigações Gerais) de Santo André, Marco Aurélio Gonçalves, para tratar da busca ao ex-cabo da PM.

Eles levaram uma carta precatória expedida pela 9ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça de Alagoas informando sobre a decisão da Justiça de levar Everaldo a júri popular pela morte do delegado da Polícia Civil Ricardo Lessa, assassinado em 1991 por investigar a gangue fardada. Everaldo, segundo o despacho, irá a júri porque efetuou os disparos de metralhadora que mataram Lessa, irmão do ex-governador do Estado.

Ricardo foi morto pois era o responsável pela investigação do assassinato de um homem dentro do Hospital de pronto-socorro de Maceió. Os quatro homens que invadiram o hospital e esfaquearam o rapaz eram integrantes da gangue fardada. Entre eles estava Everaldo, segundo Freitas Júnior.

Carteirinha

Freitas Júnior e Rabelo informam que existem quatro mandados de prisão expedidos contra Everaldo. Eles não detalham quais são os artigos nos quais o pai de Eloá é suspeito, mas informam que os documentos já estão em mãos dos agentes da Polícia Civil de São Paulo, que buscam o ex-cabo da PM de Alagoas.

A chamada gangue fardada praticava crimes diversos --que vão desde ameaça até assassinatos-- com o objetivo de conseguir dinheiro e prestígio, de acordo com Freitas Júnior.

Comandada pelos irmãos Cavalcante, os PMs Manuel (coronel), Adelmo (major) e Marcos (soldado), a chamada gangue fardada reunia cerca de 30 agentes das polícias Civil e Militar. Eles atuavam em todo o Estado de Alagoas praticando crimes vestindo a farda --daí o nome do grupo-- e utilizavam capuzes para esconder o rosto.

Segundo Freiras Júnior, os integrantes da gangue recebiam uma carteirinha com a inscrição "Amigo do Cavalcante". "Quando eles chegavam em um restaurante, todos saíam. Eles apresentavam as carteirinhas em blitze e não eram pegos mesmo se estivessem cometendo irregularidades. Poderiam até matar que nada acontecia. É como se fosse o grupo do Lampião", afirma o delegado-geral adjunto da Polícia Civil de Alagoas.

Manuel e Marcos estão presos. A Polícia Civil de Alagoas afirma que o grupo foi desarticulado e, a partir do depoimento de Manuel, é que eles tiveram a convicção da participação de Everaldo em diversos crimes.

Delação

Freitas Júnior afirmou que procurou a Justiça de Alagoas para negociar a possibilidade de oferecer a Everaldo, caso ele se entregue, o benefício da delação premiada (quando a pessoa que coopera com a investigação tem a pena reduzida). A importância da captura do ex-cabo da PM está no fato de ele possuir várias informações a respeito de diversos crimes, de acordo com o delegado.

Com isso, a Polícia Civil de Alagoas espera elucidar vários casos até hoje sem solução e também prender os envolvidos.

A delação premiada, segundo Freitas Júnior, dependerá do que Everaldo falar. A mulher e filhos do ex-cabo da PM poderão ser integrados e mudar de identidade, endereço e viver sob a tutela do Estado de Alagoas.

 

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