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Cotidiano
24/10/2008 - 09h06

Polícia deve entregar inquérito sobre a morte de Eloá nesta sexta

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Colaboração para a Folha Online
da Folha de S.Paulo

A Polícia Civil de Santo André (Grande São Paulo) deve entregar ao Ministério Público Estadual nesta sexta-feira o inquérito sobre o assassinato da estudante Eloá Cristina Pimentel, 15, morta após ser mantida refém durante cem horas pelo ex-namorado Lindemberg Fernandes Alves, 22.

O documento será entregue sem os laudos periciais e ainda sem a reconstituição. A Polícia Civil não informou com precisão quando a reconstituição ocorrerá. A intenção é que tanto Lindemberg quanto Nayara participem.

Segundo o promotor do caso, Antonio Nobre Folgado, do Tribunal do Júri de Santo André, o depoimento da jovem Nayara Rodrigues, 15, atingida por um tiro no rosto, será a base da denúncia que ele irá oferecer à Justiça. Ele terá um prazo legal de cinco dias úteis --a contar de terça-feira, porque segunda-feira é feriado em Santo André-- para fazer a denúncia. Com isso, Lindemberg só deve ser denunciado em novembro.

Inicialmente, o promotor faz uma previsão de que, caso seja condenado pelo júri, Lindemberg receba pena de pelo menos 25 anos de prisão --pela morte de Eloá, pelas tentativas contra Nayara e contra um PM, por cárcere privado de quatro pessoas e também por disparo de arma de fogo.

Na denúncia à Justiça, o promotor também firmará sua convicção de que o retorno de Nayara foi tramado por Lindemberg porque ele tinha raiva dela. "Ele atirou para matar as duas meninas."

22.out.2008/Folha Imagem
Após receber alta médica e depor à polícia, Nayara Rodrigues deixa o hospital acompanhada do padrasto e da mãe, Andréa Araújo
Após receber alta médica e depor à polícia, Nayara Rodrigues deixa o hospital acompanhada do padrasto e da mãe, Andréa Araújo

Depoimento

O depoimento de Nayara aconteceu na quarta (22), no hospital municipal de Santo André, e durou aproximadamente três horas. A adolescente estava internada desde o dia do crime, na sexta (17) após receber um tiro no rosto. Ela é considerada a principal testemunha do crime.

Em seu depoimento, Nayara disse que Eloá se descontrolou durante o cárcere privado e pediu para morrer.

"Não agüento mais, me mate, me mate. Não agüento mais ficar aqui", disse Eloá um dia antes do desfecho do cativeiro em que seu ex-namorado a manteve com a amiga Nayara. Eloá ficou mais de cem horas rendida por Lindemberg, que acabou preso.

A adolescente disse que Eloá não suportava mais ver o sofrimento das pessoas fora do cativeiro. Desesperada, Eloá começou a quebrar objetos por toda a casa e, em seguida, Lindemberg teria pego Nayara pelo pescoço e apontado uma arma para sua cabeça. Com a amiga dominada, Lindemberg perguntou para Eloá se ela queria que a "Barbie morresse".

Nayara disse ainda, em depoimento, que Lindemberg afirmava a todo momento que ela era responsável pelo rompimento do casal, já que seria conselheira sentimental de Eloá. Momentos antes da invasão do imóvel pela PM, Eloá disse ao ex-namorado que "o responsável pelo rompimento do namoro era o ciúme, o gênio e algumas atitudes dele".

Segundo Nayara, momentos antes do término do cárcere Lindemberg recebeu um telefonema e teve uma longa conversa. A menina disse acreditar, de acordo com o depoimento, que ele falava com o capitão Adriano Giovanini, negociador do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais), da Polícia Militar.

Lindemberg mudou radicalmente de comportamento após a ligação. Na ocasião, muito nervoso, ele colocou uma mesa atrás da porta. Segundo Nayara, ele parecia estar desconfiado de uma possível invasão.

Na seqüência, Nayara ouviu um barulho, que não parecia uma explosão, mas um chute na porta. Ela disse que, até aquele momento, Lindemberg não havia efetuado nenhum disparo. Eloá deu um grito quando porta foi arrombada. Nayara cobriu rosto com edredom e disse lembrar ter ouvido dois estampidos e sentir um impacto em seu rosto.

Disparo

Ontem, o coronel Eduardo Félix, comandante do Batalhão de Choque da Polícia Militar prestou depoimento sobre o desfecho do caso. Depois, à imprensa, admitiu que os policiais do Gate podem ter interpretado um barulho qualquer como um tiro, ao ser questionado sobre a possibilidade.

Ele, no entanto, reiterou que mantém a convicção de que seus subordinados ouviram o tiro antes de invadir o apartamento.

Comentários dos leitores
Marcelo Simas (1) 28/11/2008 10h25
Marcelo Simas (1) 28/11/2008 10h25
Acho q essa reconstituição podería ser feita sem a presença da menina Nayara, pois ela já sofreu o bastqante vendo a Amiga Eloá ser assassinada de forma cruel e covarde. Por favor a Polícia devería respeitar a dor dessa menina. 6 opiniões
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Estas simulações só servem para satisfazer a vontade de aparecer na TV das autoridades nelas envolvidas. Ridículo tanto gasto público com simualação do que deu mídia. Por que não simulam a ação dos batedores de carteira dentro dos ônibus também? 10 opiniões
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fabio rosa (1) 14/11/2008 10h03
fabio rosa (1) 14/11/2008 10h03
Não sei os motivos que leveram ao Lindenberg tomar aquela decisão tragica em Santo Andre...
Tb não sei os motivos que leveram o pai de Eloa a mudar de nome, de cidade... esquecendo apenas de mudar de rosto !
As noticias sobre esse caso está bem feita. Meus parabens !
Agora... é claro que o pai de Eloa está em perigo...
Cá entre nós... se eu fosse ele nem advogado colocaria no caso... Ninguém... nem mesmo os melhores do Brasil conseguiriam proteger a vida dele... nem os irmãos saberiam meu paradeiro...
No meu ver... ele só tem duas opções... Ou se entregar e sujeitar-se a torturas até a morte ou então... fazer uma reforma no rosto e, como de costume, usar um nome falso em outro estado qualquer ! Quem sabe isso ele já fez hein !!!
Ele pode ter se a rependido de tudo, mas um dia vai pagar... Se bem que acredito que ele já pagou com a morte de sua filha de apenas 15 anos !
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