"Se ele não abrir bem o bico e vier para Alagoas, ele morre", diz juiz sobre pai de Eloá
CLAYTON FREITAS
da Folha Online
O ex-cabo da Polícia Militar de Alagoas Everaldo Santos, pai da garota Eloá Pimentel, pode ser assassinado caso seja encontrado e colocado em uma unidade do sistema prisional. "Se ele não abrir bem o bico e vier para Alagoas, ele morre", disse o juiz Marcelo Tadeu, da 16ª juiz da Vara de Execuções Penais do Tribunal de Justiça de Alagoas.
Everaldo é acusado de integrar a "gangue fardada", uma espécie de esquadrão da morte que atuava no Estado. O juiz disse que a melhor opção para o ex-cabo da PM é conseguir a delação premiada (quando a pessoa que coopera com a investigação tem a pena reduzida) e ficar detido longe de Alagoas.
Tadeu foi o juiz que decretou a prisão temporária do homem apontado como um dos líderes do grupo. Ele também foi um dos juízes que, coletivamente, decretaram a prisão preventiva de 15 integrantes do bando.
Para o juiz, o pai de Eloá deve contar tudo o que sabe. "Ele [Everaldo] tem de dizer toda a verdade e, inclusive, detalhar os mandantes dos homicídios e os seus interesses, não importa quem for. O mais importante é ele falar quem são os "engravatados" que estão no topo do poder pois o coronel Cavalcante só executava junto com o grupo. Se ele omitir isso, realmente ele pode morrer antes de vir a ser julgado", disse o magistrado.
Caso Everaldo aceite, a delação premiada dependerá do que ele falar. A mulher e filhos do ex-cabo da PM poderão ser integrados ao programa e mudar de identidade, endereço e viver sob a tutela do Estado de Alagoas.
Gangue fardada
O pai de Eloá é apontado como o "braço armado" da chamada gangue fardada e seria responsável por mortes a mando dos dirigentes da quadrilha.
| 16.out.2008/Folha Imagem |
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| Everaldo Pereira dos Santos, pai de Eloá; durante o cárcere privado da filha ele teve crise de hipertensão e foi socorrido |
O grupo praticava crimes diversos --que vão desde ameaça até assassinatos-- com o objetivo de conseguir dinheiro e prestígio.
Comandada pelos irmãos Cavalcante, eram liderados pelo ex-coronel da PM Manuel. Composto por cerca de 30 agentes das polícias Civil e Militar, eles atuavam em todo o Estado de Alagoas e praticavam crimes vestindo a farda --daí o nome do grupo. Eles usavam capuzes para esconder o rosto.
Atuando há 17 anos no Tribunal de Justiça de Alagoas e há quatro deles na Vara de Execuções Criminais, Tadeu é taxativo ao dizer que o temor de morrer demonstrado por Everaldo é legítimo.
"Esse receio dele procede. Conheço bem o sistema prisional e posso dizer que se ele vier a ser preso aqui, ele pode morrer", afirma Tadeu.
Além de decretar a prisão inicial de Cavalcante, Tadeu atuou em outras fases dos processos em trâmite. Ele diz que o poder do grupo é tal que intimidou até colegas de toga à época dos crimes.
Risco
Tadeu não é a primeira voz que alerta para o risco de morte que Everaldo corre. Delegados da Polícia Civil de Alagoas que estiveram em Santo André (Grande São Paulo) ontem, sustentam que o ex-cabo da PM corre mais risco foragido do que preso.
"As pessoas são capazes de tudo. A mãe dele [Everaldo] já até deixou sua casa em Alagoas. Solto, ele corre mais risco, pois as pessoas que o contratavam para praticar crimes podem agora querê-lo morto", afirmou o delegado-geral adjunto da Polícia Civil de Alagoas, José Edson de Medeiros Freitas Júnior.
Nesta semana, Everaldo negou participação em crimes. "Sou inocente. Nunca matei ninguém. Nunca, nunca e nunca. Mas sou um arquivo vivo. Por isso quiseram e querem me liquidar", disse ele, tentando justificar a fuga do Nordeste, em 1993, assim que sua prisão preventiva foi decretada.
"Eu estava marcado para morrer"; ouça pai de Eloá
Carteirinha
Os integrantes da gangue fardada recebiam uma carteirinha com a inscrição "Amigo do Cavalcante". "Quando eles chegavam em um restaurante, todos saíam. Eles apresentavam as carteirinhas em blitze e não eram pegos mesmo se estivessem cometendo irregularidades. Poderiam até matar que nada acontecia. É como se fosse o grupo do Lampião", afirma o delegado-geral adjunto da Polícia Civil de Alagoas.
Segundo a Polícia Civil de Alagoas, Everaldo é um dos poucos que ainda estão foragidos. Os demais estão presos ou foram mortos.
O fato de Everaldo possuir informações a respeito de diversos crimes pode ajudar a polícia a elucidar vários casos até hoje sem solução e também prender os envolvidos.
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Tb não sei os motivos que leveram o pai de Eloa a mudar de nome, de cidade... esquecendo apenas de mudar de rosto !
As noticias sobre esse caso está bem feita. Meus parabens !
Agora... é claro que o pai de Eloa está em perigo...
Cá entre nós... se eu fosse ele nem advogado colocaria no caso... Ninguém... nem mesmo os melhores do Brasil conseguiriam proteger a vida dele... nem os irmãos saberiam meu paradeiro...
No meu ver... ele só tem duas opções... Ou se entregar e sujeitar-se a torturas até a morte ou então... fazer uma reforma no rosto e, como de costume, usar um nome falso em outro estado qualquer ! Quem sabe isso ele já fez hein !!!
Ele pode ter se a rependido de tudo, mas um dia vai pagar... Se bem que acredito que ele já pagou com a morte de sua filha de apenas 15 anos !
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