Policiais civis de SP reivindicam reajuste salarial; saiba mais
Colaboração para a Folha Online
Os policiais civis de São Paulo iniciaram greve no dia 16 de setembro para reivindicar reajuste salarial.
Logo no início da mobilização, uma cartilha --produzida em conjunto por 19 representações de diversas categorias da Polícia Civil, como delegados, escrivães de polícia e investigadores-- ensinava como o grevista deveria se portar durante a paralisação e o que deveria ou não fazer.
Para restringir os efeitos da greve, o governo elaborou um plano de emergência que previa a transferência de parte das atribuições da Polícia Civil à PM (Polícia Militar), que não aderiu à paralisação. Com as negociações paralisadas, o governo já havia adotado um tom mais duro contra os grevistas, com ameaça de processos administrativos e judiciais para punir eventuais abusos, como negar o atendimento à população.
Os policiais reivindicavam reajuste de 60%, alegando perda salarial de 96% entre abril de 1995 e julho de 2008. Após uma reunião no TRT (Tribunal Regional do Trabalho), a reivindicação da categoria passou a ser de uma escala de reajustes que comece a vigorar já a partir deste ano, com 15%, seguido de 12% para 2009 e 12% em 2010.
Após o início da greve, a SSP (Secretaria da Segurança Pública) divulgou um pacote de medidas que previa aumento no piso salarial de todas as carreiras, que chegaria até 38%, para delegados; 28%, para investigadores; e 47%, para médicos legistas.
A proposta foi recusada pelos policiais, pois consideraram que os aumentos anunciados atingiriam apenas uma pequena parcela da categoria. O governo endurece com os grevistas, e o governador José Serra (PSDB) afasta do cargo um dos líderes do movimento.
Com a manutenção da greve, o governo estadual anunciou informalmente uma nova proposta, com reajuste linear de 6,2%, extinção da 4ª e 5ª classe e a redução de três para dois níveis de salários adicionais. Com o anúncio, no dia 8 de outubro os policiais em greve suspenderam a greve por 48h para negociar com o governo.
As negociações fracassaram e o movimento grevista retomou a paralisação no dia 10 de outubro. No mesmo dia, os policiais civis fazem uma manifestação na região da avenida Paulista. A OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil) de São Paulo se ofereceu para tentar intermediar um acordo entre as partes, sem sucesso.
No dia 16 de outubro, durante uma manifestação que marcou um mês de paralisação, policiais civis em greve entraram em confronto com a Polícia Militar nas imediações do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo estadual paulista. Os grevistas iniciaram uma passeata rumo ao Palácio, mas foram barrados pelos PMs, quando teve início o choque, que deixou pelo menos 30 feridos. O governador José Serra (PSDB) acusou o movimento de ter motivação política.
Depois, o governo enviou à Assembléia Legislativa um projeto de lei complementar que prevê reajuste salarial para as polícias Civil, Militar e Técnico-Científica, além de uma proposta para reduzir o tempo de trabalho para aposentadoria. O percentual de aumento, de 6,5% a partir de janeiro de 2009 e outros 6,5% em 2010 não agrada os grevistas.
O movimento grevista fez mais um protesto no dia 23 de outubro, desta vez na Assembléia Legislativa. A manifestação foi pacífica, ao contrário do ocorrido perto do Palácio dos Bandeirantes.
Outra manifestação foi marcada para esta segunda-feira, na praça da Sé. O ato começou na praça da Sé e, depois, os policiais decidiram seguir em passeata até a Delegacia Geral, na rua Brigadeiro Tobias, também no centro.
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