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Cotidiano
04/11/2008 - 16h59

Polícia de PE atribui mais um crime ao pai de Eloá; ex-cabo rebate acusações

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da Folha Online

A Polícia Civil de Alagoas aponta o ex-cabo da Polícia Militar daquele Estado Everaldo Pereira dos Santos --pai da garota Eloá Pimentel-- como suspeito de outro assassinato, desta vez na cidade de Palmares, em Pernambuco.

Everaldo é suspeito de integrar uma espécie de esquadrão da morte de Alagoas. Por meio de sua defesa, o ex-cabo diz que a Polícia Civil do Estado lhe atribui crimes, que ele nega ter cometido, para "denegrir sua imagem e, "indiretamente, atingir a da corporação da Polícia Militar alagoana". Santos está foragido.

A informação sobre o homicídio em Pernambuco foi passada por dois delegados de Pernambuco, que se reuniram com o delegado-geral adjunto da Polícia Civil de Alagoas, José Edson de Freitas Júnior.

16.out.2008/Folha Imagem
Everaldo Pereira dos Santos, pai de Eloá; durante o cárcere privado da filha ele teve crise de hipertensão e foi socorrido
Everaldo Pereira dos Santos, pai de Eloá; durante o cárcere privado da filha ele teve crise de hipertensão e foi socorrido

As suspeitas contra o ex-cabo se tornaram públicas após a filha ser mantida refém por mais de cem horas pelo ex-namorado, Lindemberg Fernandes Alves, em Santo André (Grande São Paulo). No desfecho do caso, a menina foi baleada na cabeça e não resistiu ao ferimento. Lindemberg foi preso denunciado (acusado formalmente) à Justiça.

Crimes

Santos é acusado de ter feito parte da chamada "Gangue Fardada" e de participar, entre outros crimes, do assassinato do delegado Ricardo Lessa, irmão do ex-governador do Estado Ronaldo Lessa.

Na semana passada, duas irmãs de Marta Lúcia Alves Vieira, ex-mulher de Santos, disseram à polícia que o ex-policial serrou ao meio o corpo de Maria Lúcia.

Palmares

A cópia da denúncia (acusação formal) e do inquérito de Pernambuco foram enviados na segunda-feira (3) para Alagoas. Nelas, Santos aparece como envolvido na morte do advogado e líder regional do PMDB, José Rolemberg, assassinado a tiros em dezembro de 1989. "Por este crime, o ex-cabo Everaldo tem mandado de prisão preventiva em aberto e é considerado foragido da Justiça pernambucana", disse o delegado Jandir Carneiro, de Palmares.

Segundo a denúncia do Ministério Público, o ex-cabo, junto com outros dois policiais militares alagoanos, o também foragido Cícero Felizardo, o Cição, e João Gabriel Felizardo, teriam sido contratados por dois comerciantes de Palmares, Cícero Belo Pereira e Antônio de Almeida Melo, para matar Rolemberg. Na época, os três policiais trabalhavam em Novo Lino, cidade de Alagoas próxima de Palmares.

O motivo do crime, segundo o delegado Carneiro, era uma inimizade entre os suspeitos de serem mandantes do crime e a vítima. "Pelos autos do inquérito e da denúncia, não há dúvidas que os militares receberam dinheiro para executar o José Rolemberg. Foi um crime de repercussão em Pernambuco, já que a vítima era advogado militante e uma liderança política da região", disse.

Os documentos levados pelos delegados de Pernambuco à Polícia Civil alagoana devem ser acrescentados a toda a documentação contra o ex-cabo. "Continuamos trabalhando para tentar localizá-lo e prendê-lo para que ele responda na Justiça pelos crimes que lhes são atribuídos", disse o delegado-geral adjunto de Alagoas.

Outro lado

O advogado Ademar Gomes, que defende o pai de Eloá, disse que seu cliente acusa a Polícia Civil alagoana de lhe atribuir acusações devido a um conflito ocorrido em 1991 entre as polícias daquele Estado. Segundo a defesa, na ocasião ocorreram mortes de policiais militares e civis e o ex-cabo participou dos conflitos como membro da PM.

Gomes alega que inicialmente quatro homicídios eram atribuídos ao ex-policial e que agora "são mais de 20". Ele afirma que esses inquéritos não são encontrados em nenhuma delegacia.

"Está claro, portanto, que está havendo divulgação intencional de dados incorretos. Essas acusações não procedem e representam na verdade uma represália ao que aconteceu em 1991", disse o advogado por meio de nota.

O advogado insiste na tese de inocência de seu cliente e afirma que ele não se apresenta à polícia como "medida de autodefesa, pois com o que ele sabe sobre os conflitos entre as duas polícias, torna-o um arquivo vivo que tem que desaparecer".

Comentários dos leitores
Marcelo Simas (1) 28/11/2008 10h25
Marcelo Simas (1) 28/11/2008 10h25
Acho q essa reconstituição podería ser feita sem a presença da menina Nayara, pois ela já sofreu o bastqante vendo a Amiga Eloá ser assassinada de forma cruel e covarde. Por favor a Polícia devería respeitar a dor dessa menina. 6 opiniões
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Estas simulações só servem para satisfazer a vontade de aparecer na TV das autoridades nelas envolvidas. Ridículo tanto gasto público com simualação do que deu mídia. Por que não simulam a ação dos batedores de carteira dentro dos ônibus também? 10 opiniões
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fabio rosa (1) 14/11/2008 10h03
fabio rosa (1) 14/11/2008 10h03
Não sei os motivos que leveram ao Lindenberg tomar aquela decisão tragica em Santo Andre...
Tb não sei os motivos que leveram o pai de Eloa a mudar de nome, de cidade... esquecendo apenas de mudar de rosto !
As noticias sobre esse caso está bem feita. Meus parabens !
Agora... é claro que o pai de Eloa está em perigo...
Cá entre nós... se eu fosse ele nem advogado colocaria no caso... Ninguém... nem mesmo os melhores do Brasil conseguiriam proteger a vida dele... nem os irmãos saberiam meu paradeiro...
No meu ver... ele só tem duas opções... Ou se entregar e sujeitar-se a torturas até a morte ou então... fazer uma reforma no rosto e, como de costume, usar um nome falso em outro estado qualquer ! Quem sabe isso ele já fez hein !!!
Ele pode ter se a rependido de tudo, mas um dia vai pagar... Se bem que acredito que ele já pagou com a morte de sua filha de apenas 15 anos !
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