Justiça desbloqueia bens de ganhador da Mega-Sena assassinado em Rio Bonito (RJ)
LUISA BELCHIOR
Colaboração para a Folha Online, no Rio
A Justiça do Rio determinou o desbloqueio dos bens do ganhador da Mega-Sena Renné Senna, que foi assassinado em 2007. A decisão, publicada nesta terça-feira, determina que a filha dele, Renata Senna, terá direito aos bens, que somam cerca de R$ 11 milhões. Os advogados da família disseram que ela vai deixar o país.
A viúva de Renné Senna, Adriana Almeida, é acusada de ser a mandante do assassinato do milionário. Ele foi morto com quatro tiros na cabeça no dia 7 de janeiro do ano passado, em um bar no município de Rio Bonito, no Rio.
A decisão, da juíza Roberta dos Santos Braga Costa, da 2ª Vara Criminal de Rio Bonito (Região dos Lagos), acata o pedido dos advogados da família. Eles exigiam que a filha de Senna tivesse acesso ao patrimônio deixado para o pai e, ao mesmo tempo, que os bens de Adriana Almeida continuassem bloqueados.
A juíza alega, na decisão, que Renata Senna tem direito aos bens do pai por ser inventariante do espólio dele --direito concedido à ela em janeiro deste ano pela Justiça. O desbloqueio, segundo Braga Costa, visa "evitar a dilapidação do vultuoso patrimônio da vítima".
"[...] não mais se configura a situação de risco que motivou a decisão de bloqueio de todos os bens constantes do espólio", afirmou a juíza.
Na mesma sentença, a Braga Costa determina a manutenção do bloqueio aos bens móveis e imóveis em nome Adriana Almeida. A viúva de Senna foi solta por habeas corpus em junho deste ano e aguarda em liberdade seu julgamento, que será feito por Tribunal do Júri.
Viagem
Os advogados de Renata Senna se disseram satisfeitos com a decisão mas afirmaram que a herdeira de Renné Senna deixará o país assim que todos os bens forem liberados pela Justiça, o que ainda não tem data para acontecer.
"Ela vai sair do país porque quer cuidar da vida e da segurança", disse o advogado Marcus Rangoni. "[A decisão] foi como queríamos. Ela [juíza] desbloqueou [os bens] para a Renata e deixou bloqueado para a Adriana".
Os advogados de Adriana Almeida ainda não foram encontrados pela Folha Online.
A Justiça mantém presos outros cinco acusados de envolvimento no assassinato do milionário: os ex-seguranças de Senna Edinei Gonçalves, Anderson Sousa, Ronaldo Amaral, Marco Antonio Vicente, os dois últimos policiais militares, e Janaína Sousa, mulher de Anderson Sousa.

