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Cotidiano
19/02/2002 - 20h42

Advogado do PCC diz que rebeliões são "grito de socorro"

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LÍVIA MARRA
da Folha Online

O advogado Anselmo Neves Maia, um dos advogados de integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital), disse que as rebeliões são um "grito de socorro" dos detentos. Segundo ele, "respeitar o que está escrito na lei" é a alternativa para acabar com a revolta dos presos.

Maia, que preferiu não comentar, por enquanto, os atentados contra o prédio da Secretaria da Administração Penitenciária de São Paulo, afirma que o PCC tem 60 mil integrantes no sistema penitenciário _sendo "10 mil espalhados" por outros Estados_ e 10 mil em liberdade.

Números da Secretaria da Administração Penitenciária apontam que a população carcerária nos presídios coordenados pela secretaria fica em torno de 69 mil pessoas. Em cadeias controladas pela Secretaria da Segurança Pública, a previsão é de que existam mais 30 mil pessoas.

"Eles [membros do PCC] se articulam com uma rapidez incrível", disse.

Para explicar as injustiças sofridas pelos detentos, Maia cita casos de penas em regime semi-aberto e o direito à liberdade.

"A Casa de Detenção tinha 3.500 presos com direito a liberdade e isso é negado. A gente sabe que no sistema penitenciário tem gente que está preso porque furtou um quilo de tomate, uma bicicleta. As injustiças geram revoltas", disse

"Você viu o caso do Dutra Pinto. E o que você não toma conhecimento?", afirmou, fazendo referência ao sequestrador de Patrícia Abravanel, filha do apresentador Silvio Santos, que morreu no dia 2 de janeiro, no CDP do Belém, vítima de infecção generalizada. O irmão do sequestrador _que também estava preso no CDP_ disse que Dutra Pinto havia sido espancado por agentes penitenciários e não recebeu tratamento adequado.

Atentados
O advogado não quis comentar os atentados sofridos pela Secretaria da Administração Penitenciária de São Paulo. Em menos de uma semana, três bombas foram detonadas _duas em frente ao prédio e a outra, do lado contrário da calçada. Em todos os casos, bilhetes assinados pelo PCC foram encontrados.

"Eu não vou especular. Vou fazer a via-sacra, conversar com as lideranças e saber o que aconteceu, se foi o PCC ou não", disse.

Líder morto
Um dos fundadores do PCC, Misael Aparecido da Silva, foi assassinado hoje na Penitenciária Presidente Venceslau 2, no interior de São Paulo. Ele teria sido assassinado por integrantes também do PCC.

"Era um líder. Não tem ninguém com coragem para matá-lo" , disse o advogado se referindo a outras facções que atuam nos presídios.

Segundo funcionários da penitenciária, Silva foi surpreendido por outros detentos durante o banho de sol, pela manhã, e espancado até a morte. Os presos utilizaram um escovão de limpeza para agredi-lo.

Silva é um dos fundadores do PCC, ao lado de José Márcio Felício, o Geleião, e César Augusto Roris da Silva, o Cesinha. Há suspeita de que ele poderia ter sido morto pelo próprio PCC.

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