Pedestre é a principal vítima de acidentes de trânsito no país
da Folha Online
Os atropelamentos de pedestres são as principais causas de morte provocadas por acidentes de trânsito no país, segundo o Ministério da Saúde. Elas perfazem 27,9% do total, seguidas por ocupantes de veículos (21%) e motociclistas (19,8%).
As diversas formas de acidentes de trânsito são a segunda nas chamadas causas externas, perdendo apenas para os homicídios, segundo a publicação "Saúde Brasil 2007", que traça um perfil das mortes provocadas por doenças crônicas e violentas.
O estudo mostra que homens de 20 a 59 anos residentes em municípios de pequeno porte são as principais vítimas de acidentes de trânsito no país.
Os motociclistas compõem a maioria das mortes por acidentes de trânsito na faixa compreendida entre 20 e 29 anos. Os idosos, por sua vez, estão mais sujeitos ao risco de morte por atropelamento.
Em números absolutos, o total de mortes por acidentes de trânsito no ano de 2006 é de 35.155 pessoas. O total gasto apenas com internações hospitalares foi de cerca de R$ 118 milhões. Houve aumento no valor gasto com internações de 2002 a 2006. Enquanto em 2002 o valor gasto com internações para vítimas de acidentes de trânsito era de R$ 46,2 a cada 100 mil habitantes, em 2006 saltou para R$ 63,1.
Retrocesso
Segundo o estudo, enquanto na década de 1990 as mortes eram mais comuns em cidades com 100 mil habitantes ou mais, essa tendência se inverteu e atualmente essa taxa reduziu e se iguala aquelas registradas em municípios de até 500 mil habitantes.
Marta Silva, técnica da CGDANT/Dasis (Coordenação de Doenças e Agravos Não-Transmissíveis/Departamento da Situação de Saúde), afirma que uma hipótese para que isso ocorra está relacionada a explosão demográfica.
"Além de ter mais malha viária, as grandes cidades têm também mais carros e o fluxo é mais lento. Há muitos acidentes e batidas, mas como há grandes engarrafamentos, na maioria das ocorrências, não há vítimas sérias", afirma Silva.
Moto
A explosão da venda de motos no mercado brasileiro impulsionada por facilidades de crédito turbinadas por sua vez pelo surgimento de novas profissões como a de motociclistas são os principais motivos alegados pelo Ministério da Saúde para que o número de vítimas dessa modalidade de transporte saltasse de 300 em 1990 para cerca de 7.000 em 2006.
A faixa etária mais vulnerável é aquela de 15 a 39 anos. A maior incidência se deu em cidades com menos de 100 mil habitantes localizadas nas regiões Sul, Centro-Oeste e Nordeste.
"Hoje em dia se adquire uma moto com muita facilidade. Por trás disso, há uma precarização do trabalho e o desemprego que geraram novas profissões, como os motoboys e motos-frete", afirma Silva.
Regiões
Na ponta das mais altas taxas de mortalidade por acidente de trânsito --numa padronização por 100 mil habitantes --aparecem Santa Catarina e Mato Grosso do Sul. Tratam-se de Estados que possuem, respectivamente, 5.958.295 e 2.297.994 de habitantes. Santa Catarina registrou em 2006 1.923 mortes por acidentes de trânsito, e, Mato Grosso do Sul, 684.
Como os dados não levam em conta os números absolutos, taxas ponderadas de Estados como São Paulo são puxadas para baixo. O maior Estado do país, mesmo com 41.055.761 habitantes e tendo registrado 6.710 mortes no período, tem metade da taxa registrada em Santa Catarina e aparece em 21º da lista.
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