Exército confirma detenção e nega uso de ácido e tortura contra jovem no Rio
Colaboração para a Folha Online, no Rio
O Exército confirmou na tarde desta quinta-feira ter detido o adolescente que afirmou ter sido torturado e queimado com ácido por militares. Negou, contudo, as acusações do jovem e afirmou apenas ter sido usado spray de pimenta porque ele resistiu à prisão.
O adolescente, de 16 anos, foi à 33ª DP (Realengo) na tarde de quarta (5) registrar boletim de ocorrência contra os militares. Ele disse que pulou o muro de um terreno do Exército com um amigo para fumar maconha e, ao ser descoberto, foi submetido a sessões de tortura, choque e queimadura com ácido pelos militares. O hospital Albert Schwaitzer, onde o jovem está internado, informou que ele tem queimaduras de 1ª e 2ª grau causadas, "provavelmente, por algum tipo de ácido" e corre o risco de perder a visão.
Em nota divulgada na tarde desta quinta, o Comando Militar do Leste negou que os militares tenham feito uso de qualquer tipo de ácido ou batido no garoto. O comando afirmou que o jovem e o amigo foram descobertos por uma patrulha dentro de um terreno que pertence à 9ª Brigada de Infantaria Motorizada, na rua Professor Carlos Venceslau, em Realengo.
Ao tentar deter os jovens, eles resistiram e, por isso, "houve a necessidade do uso de spray de pimenta, procedimento não-letal e indicado para esse tipo de ocasião", segundo a nota. O Exército afirmou ainda que os jovens foram liberados meia hora depois. Já o adolescente afirmou à Polícia Civil que seu amigo conseguiu fugir.
Apesar de negar a tortura, o Exército informou que investiga o caso. A Polícia Federal assumiu as investigações e disse que deve ouvir os militares que estavam no quartel de Realengo.

