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Cotidiano
27/02/2002 - 19h56

Veja como agiram assassinos de Toninho do PT, segundo a polícia

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FÁBIO PORTELA
da Folha Online

Segundo a polícia, já é possível determinar exatamente como foi a ação dos criminosos que assassinaram o prefeito de Campinas Antônio da Costa Santos, o Toninho do PT, em setembro do ano passado.

Todas as investigações feitas até agora indicam que a morte do prefeito foi um crime comum, cometido por integrantes do bando comandado por Wanderson Newton de Paula Lima, o Andinho, preso na segunda-feira em Itu.

Para chegar a estas conclusões, a polícia se baseia em um intrincado conjunto de provas que, observadas em conjunto, definem a relação entre os criminosos e a morte do prefeito.

Segundo Domingos Paulo Neto, diretor do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), a ação da quadrilha começou às 22h10 do dia 10 de setembro de 2000.

Pelo menos três homens chefiados por Andinho tentavam realizar um sequestro relâmpago nas ruas de Campinas a bordo de um automóvel modelo Vectra de cor prata.

Eles abordaram um motorista que dirigia outro Vectra, verde. A vítima, que não teve o nome revelado, tentou escapar e foi iniciada uma perseguição. Os criminosos chegaram a bater no Vectra verde, tentando obrigar o motorista a parar.

Em determinado momento, outro automóvel passou pela avenida no sentido contrário. Para evitar um choque frontal, já que estavam trafegando pela contramão, os criminosos foram obrigados a desviar sua trajetória e entraram em uma bifurcação que levava à avenida Mackenzie. Antes, porém, disparam tiros com uma arma de calibre 45 contra o Vectra verde.

Já na avenida Mackenzie, o bando de Andinho começou a trafegar em alta velocidade. Segundo a polícia, eles estavam em rota de fuga, temendo que o motorista que havia sido abordado ligasse para o 190.

A gravação de uma câmera de um supermercado confirma que o carro dos bandidos _com o farol dianteiro esquerdo avariado por causa da batida no Vectra verde_ passou pelo local.

Cerca de dois quilômetros à frente, na mesma avenida, o prefeito Toninho do PT foi morto com disparos de uma arma de calibre 9 milímetros enquanto dirigia, sozinho, seu automóvel Pálio. O crime aconteceu cerca de 7 minutos depois da tentativa de abordagem ao Vectra verde.

Segundo a polícia, ainda não está claro porque os bandidos mataram o prefeito. Algumas hipóteses são avaliadas: podia tratar-se de uma tentativa de assalto, de uma nova tentativa de sequestro relâmpago ou os criminosos podiam estar querendo trocar de carro durante a fuga, imaginando que a polícia iria procurá-los.

Exames de balística
Para chegar à quadrilha de Andinho, a polícia investigou outro crime que ocorreu na cidade de Campinas apenas quatro dias depois da morte do prefeito.

Trata-se de um sequestro de um garoto de 8 anos no bairro de classe alta de Nova Campinas. A Folha Online não divulga o nome do menino por questões de segurança.

Cinco criminosos participaram da ação na casa do garoto e disparam tiros com duas armas: uma de calibre 45 e outra 9 milímetros. Exames de balística realizados pela polícia técnica confirmaram que as armas foram as mesmas usadas na abordagem ao vectra verde e na morte do prefeito Toninho do PT.

Estabelecida a relação entre os casos, faltava definir a autoria do sequestro para saber quem era responsável pelo assassinato do prefeito. Isso foi possível com a prisão de Andinho, nesta semana.

Interrogado pela polícia, ele admitiu ter participado do sequestro do garoto com outras quatro pessoas: Valmir Conti, o Valmirzinho, Anderson José Bastos, conhecido como Anzo, Valdecir de Souza Moura, o Feinho, e Cristiano Nascimento de Faria, o Cris.

Desses quatro, três já estão mortos: Valmirzinho e Anzo foram assassinados pela polícia de Campinas durante diligências em Caraguatatuba, no litoral de São Paulo. Feinho foi morto na última segunda-feira. Ele estava junto com Andinho em uma chácara em Itu e foi atingido durante troca de tiros com a polícia.

O suspeito que continua vivo, Cris, está foragido. A polícia centra esforços agora na captura dele. O DHPP acredita que, dos cinco integrantes do bando, pelo menos três estão envolvidos na morte do prefeito, mas ainda não foi possível fazer a identificação exata.

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