Suspeito de matar menina em Curitiba (PR) estava drogado, diz governo
DIMITRI DO VALLE
da Agência Folha, em Curitiba
O suspeito de matar uma menina de nove anos em Curitiba no fim de semana cometeu o crime "possivelmente drogado", segundo o secretario da Segurança Pública do Paraná, Luiz Fernando Delazari.
A menina Lavínia Rabech da Rosa foi morta por estrangulamento na madrugada em um quarto da casa onde vivia com a família. Segundo a Polícia Civil, o suspeito, Mariano Torres Ramos Martins, 45, estava escondido embaixo da cama. Ele tentou fugir e foi agredido por vizinhos, de acordo com a polícia.
Martins negou em depoimento ter matado a criança. Nesta segunda-feira, ele foi transferido de um distrito policial para uma cela em um centro de triagem em Piraquara, na região metropolitana de Curitiba. De acordo com os funcionários, nenhum advogado havia ido ao centro de triagem para representá-lo até a tarde desta segunda.
Segundo a polícia, ele é foragido da Colônia Penal Agrícola de Piraquara, na região metropolitana de Curitiba. Ele respondia a processos por furto e lesão corporal e estava morando na rua.
Na região onde circulava e onde fica a casa dos pais da menina morta, ele costumava receber ajuda de moradores para se alimentar, além de freqüentar a casa dos pais da vítima, segundo familiares. Há indícios de que a menina sofreu violência sexual.
Violência
Nos últimos 13 dias, foram registradas pelo menos quatro mortes de crianças entre três e nove anos de idade em três cidades do Estado, entre eles o da estudante Rachel Genofre, 9, encontrada morta em uma mala na rodoviária de Curitiba.
O secretário da Segurança Pública disse ontem que sucessivos casos de estupro e morte de crianças, como os registrados no Paraná nas duas últimas semanas, podem se repetir "em qualquer lugar do mundo".
Ele citou como exemplos os casos de Madeleine, menina inglesa desaparecida em Portugal em 2007, e do austríaco acusado de aprisionar e violentar a filha por 24 anos. Segundo Delazari, "dizer que a polícia pode criar um mecanismo para evitar [o ataque de pedófilos], é impossível".
O secretário disse que diante das circunstâncias diferentes dos quatro crimes não há "explicação" para tentar entender essa seqüência de casos. Delazari disse que o caso de Rachel é considerado "um desafio para a polícia" por envolver um criminoso "astuto", que é procurado.
Segundo levantamento da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, o Paraná é o 23º Estado do país em número de denúncias envolvidas em exploração sexual de crianças.
Entre maio de 2003 e outubro deste ano, foram comunicadas ao disque-denúncia da secretaria 3.597 denúncias no Paraná. A proporção de casos é de 34,9 por cada grupo de 100 mil habitantes. O líder do ranking, o Distrito Federal, computou no mesmo período 1.962 denúncias, ou 79,8 casos por cada grupo de 100 mil pessoas.
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