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Cotidiano
18/11/2008 - 12h37

Sol forte leva carteiros de Teresina (PI) a pedir troca de horário de trabalho

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da Folha Online

Com temperatura média que oscila entre 34,1ºC e 35ºC e umidade relativa do ar em média de 55%, os carteiros de Teresina (PI) querem entregar as correspondências no período da manhã, e não no da tarde. O sindicato da categoria ameaça até uma greve dos trabalhadores, caso não seja atendido.

Numa discussão que se arrasta há quase cinco anos, eles justificam que a cada ano que passa é mais difícil para os trabalhadores cumprirem a jornada de entrega dos objetos que se estende das 11h às 18h, momento em que os termômetros chegam, em alguns momentos, a picos de 40ºC, segundo o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia).

O secretário-geral do sindicato dos carteiros de Piauí, Jailson Tavares Lima, afirma que o calor prejudica o desempenho dos trabalhadores. "Se continuar muita gente vai desmaiar. É calor demais", diz.

A proposta que o sindicato apresentou à Delegacia Regional do Trabalho em Teresina é a de inverter o horário de tratamento dos objetos --cartas, Sedex e outros-- e entrega. Em vez de organizar as correspondências pela manhã e entregá-las à tarde, como é feito atualmente, eles querem entregar as cartas no período da manhã --momento em que a incidência do sol não é tão forte quanto no período da tarde-- e organizar os objetos à tarde.

O novo horário proposto é o das 7h às 13h --para entrega das cartas-- e das 13h45 às 18h para organizar os documentos. Caso não sejam atendidos até a próxima sexta-feira (21) eles vão avaliar se cruzam ou não os braços em protesto, segundo Lima.

O sindicalista afirma que esse tipo de entrega já foi colocada em prática entre dezembro de 2004 a janeiro de 2006. "Nunca houve problema algum", afirma.

Outro lado

O diretor interino da regional dos Correios em Teresina, José Rosa de Almeida, afirmou a proposta apresentada pelo sindicato é inviável pois demandaria mudanças em toda a estrutura dos Correios, inclusive fora do Piauí.

"Existe uma logística integrada e para fazer uma inversão do horário de trabalho é necessário atrasar em mais um dia, o que irá nos prejudicar", afirma.

Em média o CDD (Centro de Distribuição Domiciliar) dos Correios em Teresina recebe 200 mil objetos por dia, sendo que 80% desse total é distribuído na capital e os 20% restantes para cidades do interior. Dos 480 carteiros do Piauí, cerca de 300 trabalham em Teresina.

Do total, segundo cálculos fornecidos por Almeida, 30% são de Sedex, o carro-chefe da empresa. "Essa medida não só vai atrasar a distribuição e recebimento de correspondências importantes como também prejudicar nossa competitividade com empresas privadas e perderemos mercado", disse.

A proposta que ele já apresentou foi antecipar o horário de entrada dos trabalhadores para adiantar o trabalho de organização das correspondências, das 6h às 11h, e ampliar o horário de almoço --que se estenderia até por volta das 15h com retomada até 18h-- para que os trabalhadores pudessem fugir do horário crítico.

 

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