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Cotidiano
18/11/2008 - 15h49

À Justiça delegado nega tortura contra acusados de matar jovem em Guarulhos (SP)

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DEH OLIVEIRA
Colaboração para a Folha Online

O delegado Paulo Roberto Poli prestou depoimento na tarde desta terça-feira durante o júri de três rapazes acusados de matar Vanessa Batista de Freitas, 22, em Guarulhos (Grande São Paulo). À Justiça, ele negou que os acusados tenham sido torturados.

O crime aconteceu em 2006. Renato Correia de Brito, 24, William César de Brito Silva, 28, e Wagner Conceição da Silva, 25 foram libertados em setembro último, após o crime ser atribuído a Leandro Basílio Rodrigues, chamado de "maníaco de Guarulhos". Em setembro, no entanto, ao ser interrogado pela Justiça, Rodrigues passou a negar ser o responsável pelo assassinato de Vanessa e por outro crime.

Alex Almeida/Folha Imagem
Jovens presos por crime atribuído a maníaco vão a júri, da esq. à dir.; Willian (camisa cinza), Renato (branca) e Wagner (laranja)
Jovens presos por crime atribuído a maníaco vão a júri, da esq. à dir.; Willian (camisa cinza), Renato (branca) e Wagner (laranja)

"Não tinha qualquer sinal de hematoma quando [os rapazes] chegaram ao DP", disse o delegado nesta terça.

Ele disse que, na ocasião das prisões, uma advogada acompanhou o procedimento, mas não fez denúncia aos órgãos competentes sobre as supostas agressões. Ainda de acordo com o delegado, os três rapazes não passaram por exame de corpo delito imediatamente após a prisão porque o IML (Instituto Médico Legal) estava fechado. "Em nenhum momento reclamaram de dor", afirmou.

Poli afirmou que formou sua convicção sobre a culpa dos jovens ao reunir informações policiais, do pai da vítima e confissões dos rapazes.

Crime

Vanessa Batista de Freitas era namorada de Renato. Segundo a acusação, ele havia encomendado o crime porque queria evitar uma ação judicial para pagamento de pensão alimentícia do filho que tinha com a jovem.

Os jovens, que passaram cerca de dois anos presos, disseram que haviam confessado o crime porque tinham sido torturados por policiais.

O promotor Levy Emanuel Magno afirmou nesta terça que quer saber por que o chamado "maníaco de Guarulhos" teria interesse em confessar o assassinato de Vanessa.

Com base no depoimento do delegado, Magno disse também que pedirá explicações à advogada que acompanhou o início do caso e não denunciou as supostas agressões.

PMs

O júri começou hoje com os depoimentos do sargento da PM Richardson Alves de Alcântara e do cabo Ezequiel Ramos da Mota. Ambos pediram para falar na ausência dos réus --o que foi atendido pela Justiça.

Em seus depoimentos, os policiais negaram tortura e afirmaram que Renato ofereceu, na ocasião, R$ 20 mil para evitar a prisão. Eles também relataram que uma vizinha do local do crime disse ter ouvido vozes e um carro arrancando.

Segundo Alcântara, a vizinha ouviu alguém falando "Por que vocês fizeram isso. Não era para fazer isso".

Ele disse ainda que Renato confessou espontaneamente o crime, em sua casa, mas que os outros dois rapazes negaram desde o início envolvimento no crime.

Os dois PMs afirmaram que Inquérito Policial Militar instaurado para apurar o caso não apontou transgressão por parte dos policial por parte dos policiais envolvidos no caso.

 

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