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Cotidiano
18/11/2008 - 20h03

Advogada diz que viu um dos acusados de matar jovem em Guarulhos (SP) ser agredido em delegacia

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DEH OLIVEIRA
colaboração para a Folha Online

A advogada de defesa de Wagner Conceição da Silva, 25 --um dos três jovens acusados de terem assassinado Vanessa Batista de Freitas, 22, em Guarulhos (Grande São Paulo)-- Kátia Soraia dos Reis Cardozo, afirmou nesta terça-feira que viu William César de Brito Silva, 28, outro réu no processo, ser agredido no saguão do 1º DP de Guarulhos, no dia em que eles foram presos, em agosto de 2006.

A afirmação foi feita nesta terça-feira, em depoimento prestado durante o julgamento dos três acusados.

A advogada afirmou que viu William levar um tapa no saguão da delegacia, e que não formalizou a denúncia na ocasião pois teve medo. "Eu tenho um filho. Eu não tenho vergonha de dizer. Eu tenho medo", afirmou.

William, Wagner e Renato Correia de Brito, 24, ficaram cerca de dois anos presos sob a acusação de matar a jovem em Guarulhos, em 2006. Em setembro deste ano, eles foram libertados, após o crime ser atribuído a Leandro Basílio Rodrigues, 19, chamado pela polícia de "maníaco de Guarulhos".

Em 2006, os três jovens afirmaram à Justiça que tinham sido torturados por policiais militares e civis de Guarulhos para confessarem o assassinato.

Segundo Kátia, apesar de não ter formalizado a denúncia de agressão, à época, ela comunicou o integrante da Assistência ao Judiciário de Guarulhos Cláudio Ávila, sobre a agressão. Ela afirmou ainda que o presidente da OAB de Guarulhos (Ordem dos Advogados do Brasil), Ayrton Trevisan, também a procurou sobre o assunto, mas só após o crime ser atribuído ao "maníaco de Guarulhos", em 2008.

Durante o depoimento, o promotor Levy Emanuel Magno apresentou nos autos um documento assinado pelo superintendente da OAB, em 2008, certificando que não encontrou qualquer denúncia feita pela advogada no período entre 22 de abril de 2006 e 22 de setembro de 2008.

O depoimento de Kátia foi o mais tenso do dia, com acalorada discussão entre a promotoria, a defesa e a depoente.

O juiz Leandro Jorge Bittencourt Cano pediu para convocar Ávila e Trevisan. Após o depoimento, foi feita uma acareação entre a advogada e o delegado que atendeu a ocorrência na época, Paulo Roberto Poli. Na acareação, ela negou que tenha visto o delegado agredir qualquer um dos acusados, e descreveu o suposto agressor.

Crime

Vanessa Batista de Freitas era namorada de Renato. Segundo a acusação, ele havia encomendado o crime porque queria evitar uma ação judicial para pagamento de pensão alimentícia do filho que tinha com a jovem.

Os jovens, que passaram cerca de dois anos presos, disseram que haviam confessado o crime porque tinham sido torturados por policiais.

 

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