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Cotidiano
19/11/2008 - 13h36

Reconstituição da morte de Eloá deve terminar no início da noite

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DEH OLIVEIRA
Colaboração para a Folha Online

A reconstituição da morte de Eloá Cristina Pimentel, 15, ocorre nesta quarta-feira em Santo André (Grande São Paulo). Os trabalhos começaram por volta das 11h, com previsão para terminar no fim da tarde.

Além de policiais e quatro peritos, também participam da reprodução do crime dois desenhistas, um médico-legista e um fotógrafo, além de cem PMs.

Os trabalhos serão realizados em partes. A primeira, que terminou por volta das 12h50, reproduziu a entrada de Lindemberg Alves, 22. no imóvel, em um conjunto habitacional. Ele manteve Eloá, sua ex-namorada, refém por cem horas.

Fernando Donasci/Folha Imagem
Nayara no momento em que voltou ao apartamento em Santo André; jovem participa da reconstituição do assassinato de Eloá
Nayara no momento em que voltou ao apartamento em Santo André; jovem participa da reconstituição do assassinato de Eloá

A polícia também deve reproduzir o momento em que Nayara Rodrigues, 15, foi libertada e o que retornou ao apartamento e voltou a ser mantida refém pelo rapaz. Depois, deve ser reconstituído o momento em que a Polícia Militar invadiu o imóvel.

Eloá foi morta com um tiro na cabeça disparado por Alves, que acabou preso. Nayara ficou ferida.

Reconstituição

Com a reconstituição, a polícia espera verificar como foram os momentos-chave que antecederam a morte de Eloá, ocorrida em 17 de outubro.

Nayara auxilia os trabalhos. A presença da adolescente não é obrigatória, entretanto o advogado que a representa garantiu que ela voltará ao apartamento onde foi mantida refém com a amiga. "Fizemos um acordo com o delegado [Sérgio Luditza] e exigimos a presença dos advogados da família, da psicóloga que a acompanha e do Conselho Tutelar. Queremos colaborar com o Estado", afirmou Marcelo Augusto de Oliveira, um dos advogados contratados pela família da Nayara.

Conforme Oliveira, a menina não representará a si própria: ela irá orientar uma policial, que fará seu papel, sobre como agiu e o que viu durante o cativeiro e a invasão do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais) ao apartamento. Nayara deve ser acompanhada por uma psicóloga e pelo Conselho Tutelar.

A advogada Ana Lúcia Assad, que defende Lindemberg, disse que o seu cliente não vai participar da reconstituição. "Pela legislação penal ninguém é obrigado a produzir provas contra si mesmo. A Justiça foi informada e a decisão foi aceita na semana passada", afirmou. Um policial fará seu papel.

15.out.08/Folha Imagem
Eloá na janela do apartamento da família enquanto era mantida refém, em Santo André.
Eloá na janela do apartamento da família enquanto era mantida refém, em Santo André.

Para simular a invasão, só cinco integrantes do Gate que participaram da equipe tática, comandada pelo tenente Paulo Sérgio Schiavo, estarão presentes. O comandante do grupo e responsável pela negociação do seqüestro, capitão Adriano Giovaninni, não irá participar.

Caso

Inconformado com o fim do namoro de mais de dois anos, Lindemberg Fernandes Alves decidiu render a ex-namorada no dia 13 de outubro. Na ocasião, ela estava em companhia de três amigos --dois garotos liberados no mesmo dia e de Nayara que, apesar de ter sido libertada 33 horas depois, retornou ao apartamento no dia 16 de outubro.

A Polícia Militar afirmou que invadiu o apartamento na sexta-feira (17/10) após ouvir um tiro e porque o comportamento de Alves, durante tarde, era muito agressivo. Alves está preso no presídio 2 de Tremembé (a 147 km de São Paulo).

Acusações

Lindemberg foi denunciado por homicídio duplamente qualificado (motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima), em relação à Eloá, uma tentativa de homicídio duplamente qualificado, por ter atirado contra a amiga da ex-namorada, Nayara Rodrigues, 15, e uma tentativa de homicídio qualificado por ter feito disparos contra o sargento da Polícia Militar. Ele permanece preso em Tremembé (147 km de São Paulo).

A denúncia contra Lindemberg inclui ainda cinco acusações por cárcere privado qualificado, por ter mantido como reféns Eloá, Nayara por duas vezes, e outros dois colegas das adolescentes que estavam no apartamento quando a residência foi invadida por ele. O réu também foi denunciado quatro vezes por disparo de arma de fogo.

Com Agora

 

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