Acusado de matar jovem em Guarulhos (SP) volta a negar crime e diz que foi torturado pela polícia
FERNANDA PEREIRA
colaboração para a Folha Online
Um dos três acusados de ter matado a jovem Vanessa Batista de Freitas, 22, em Guarulhos (Grande São Paulo), Renato Correia de Brito, 24, ex-namorado da vítima, voltou a negar a autoria do crime e, novamente, afirmou que foi torturado pela polícia. Renato foi o primeiro dos três jovens a depor no julgamento, que começou nesta terça-feira (18).
Ele, William César de Brito Silva, 28, e Wagner Conceição da Silva, 25, ficaram cerca de dois anos presos sob a acusação de matar a jovem em Guarulhos, em 2006. Em setembro deste ano, no entanto, eles foram libertados, após o crime ser atribuído a Leandro Basílio Rodrigues, chamado de "maníaco de Guarulhos".
| Alex Almeida/Folha Imagem |
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| Jovens presos por crime atribuído a maníaco vão a júri, da esq. à dir.; Willian (camisa cinza), Renato (branca) e Wagner (laranja) |
À Justiça Renato disse que nunca confessou o crime, mas afirmou que foi torturado em diversos momentos por policiais militares e civis para assumir a autoria do assassinato.
Diante do fato, a promotoria apresentou um documento assinado por ele, onde Renato confessa o crime. Ele reconheceu a assinatura, mas afirmou que os policiais não permitiram que ele tivesse acesso ao conteúdo do documento.
Segundo ele, no 1º DP de Guarulhos, ele apanhou com cabos de vassoura --nos pés e nas mãos-- e foi sufocado com um saco de lixo em sua cabeça.
À época das prisões, a polícia divulgou que Vanessa havia sido morta porque Renato queria evitar uma ação judicial --para requerer pensão alimentícia para o filho-- e teria contratado os outros dois para "dar um susto" na moça.
Segundo Renato, o relacionamento entre os dois era amigável, mesmo após a separação, no início da gestação. Em seu depoimento, o ex-namorado da jovem disse que tinha um relacionamento bom também com os familiares de Vanessa, e afirmou que ela nunca exigiu que ele pagasse pensão para o filho.
Embora não pagasse pensão, Renato afirmou que sempre contribuiu fornecendo leite, remédios e fraldas descartáveis para a criança. Segundo ele, a jovem nunca reclamou da situação.
O acusado também negou que tenha tentado subornar policiais militares, e disse que, no dia da prisão, um dos policiais pediu R$ 20 mil para deixá-lo fugir. Os policiais negaram que os jovens tenham sido torturados.
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