Promotor diz que simulação reforça intenção de Lindemberg matar reféns
LUIS KAWAGUTI
da Folha de S.Paulo
da Folha Online
Durou quatro horas e meia a reconstituição do cárcere privado e da morte da estudante Eloá Pimentel, 15, na quarta-feira (19) em Santo André (Grande São Paulo). Peritos do IC (Instituto de Criminalística) simularam a versão de Nayara Rodrigues, 15, --que esteve presente na reconstituição sobre o crime. Ela afirmou que Lindemberg Alves Fernandes, 22, ex-namorado de Eloá Cristina Pimentel,15, não atirou antes da invasão da polícia.
Não foi simulada a versão do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais), que afirmou ter invadido o apartamento onde as jovens eram mantidas reféns por mais de cem horas após policiais terem ouvido um tiro.
Segundo o promotor Antônio Nobre Folgado, a reconstituição é importante, pois mostra que, logo após a explosão da porta do apartamento pelo Gate, Lindemberg teve tempo de dar três ou quatro passos, se abrigar atrás de uma parede e só então atirar duas vezes contra a ex-namorada Eloá e uma contra Nayara.
Segundo Folgado, isso reforça a tese da promotoria de que Lindemberg sempre teve a intenção de matar as vítimas.
Lindemberg não participou da reconstituição. Segundo sua advogada, Ana Lúcia Assad, "foi uma decisão técnica do escritório". Ela afirmou que, após Lindemberg dar seu depoimento para um juiz, a defesa pode pedir uma nova reconstituição.
Simulação
A simulação teve início às 11h. Os trabalhos foram realizados em partes. A primeira, que terminou por volta das 12h50, reproduziu a entrada de Lindemberg Alves, 22, no imóvel, em um conjunto habitacional. Ele manteve Eloá, sua ex-namorada, refém por cem horas. Ele foi o autor do tiro que matou a garota. Atualmente ele está preso em Tremembé (SP).
Na segunda parte houve a reprodução do momento em que Nayara Rodrigues, 15, foi libertada e horas depois retornou ao apartamento e voltou a ser mantida refém pelo rapaz. Essa ação foi realizada até 13h50.
Depois, foi reconstituído o momento em que a Polícia Militar invadiu o imóvel, concluído às 14h50. Nayara --atingida no rosto por um tiro disparado por Lindemberg-- não participou desta última parte da reprodução. Ela saiu assim momentos antes, se alimentou e foi embora sem falar com a imprensa.
Nayara não participou dos atos mas orientou uma policial --com mesma estatura-- a respeito de como procedeu durante o cárcere privado. Durante a reprodução a jovem foi acompanhada de duas psicólogas.
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