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Cotidiano
20/11/2008 - 21h48

Após três dias de júri, jovens são condenados por morte de garota em Guarulhos (SP)

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MARINA NOVAES
da Folha Online

Atualizado às 22h21.

Os três jovens acusados pela morte de Vanessa Batista de Freitas, 22, foram condenados na noite desta quinta-feira, após três dias de júri em Guarulhos (Grande São Paulo). O crime ocorreu em 2006 e eles passaram cerca de dois anos presos --estavam em liberdade desde setembro último. Os três alegam que confessaram o crime sob tortura.

Renato Correia de Brito, 24 --ex-namorado da vítima--, e Wagner Conceição da Silva, 25, foram condenados a 24 anos, quatro meses e 15 dias de prisão por homicídio e atentado violento ao pudor. William César de Brito Silva, 28, foi condenado a nove anos, quatro meses e 15 dias de reclusão por atentado violento pudor.

A prisão dos três já foi decretada pela Justiça. O advogado de defesa, Augusto Tolentino, se disse perplexo e afirmou que vai recorrer da sentença.

18.nov.2008/Folha Imagem
William César de Brito, Wagner Conceição da Silva e Renato Correia de Brito (esq. para dir.) são condenados por morte de jovem
William César de Brito, Wagner Conceição da Silva e Renato Correia de Brito (esq. para dir.) são condenados por morte de jovem

O trio também deverá pagar um salário mínimo aos dois filhos de Vanessa --um deles filho de Renato-- até que eles completem 25 anos.

Os réus foram submetidos a júri popular, e a sentença foi lida pelo juiz Leandro Jorge Bittencourt Cano por volta das 21h30. Segundo o juiz, este foi um dos júris mais difíceis de sua carreira. Ele afirmou ainda que a votação do conselho de sentença --composto por sete jurados-- foi "muito apertada".

Para o promotor Levy Emanuel Magno, a confissão dos jovens foi fundamental para que ele mantivesse a acusação, embora, depois, os três tenham alegado tortura. "Desde o começo, o Ministério Público estava convencido. Eu tinha absoluta convicção de que não havia maníaco cometendo este crime. O crime da Vanessa não poderia ter sido cometido por uma pessoa só."

Magno afirmou ainda que vai recorrer para que William responda também pelo homicídio.

A vítima teve um relacionamento com Renato. Segundo a acusação, ele havia encomendado o crime porque queria evitar uma ação judicial para pagamento de pensão alimentícia do filho que tem com a jovem.

Os três jovens passarão a madrugada no 1º DP de Guarulhos e serão transferidos para um presídio nesta sexta (21).

Tortura

Os acusados haviam sido libertados após o crime ser atribuído a Leandro Basílio Rodrigues, chamado de "maníaco de Guarulhos". Os jovens afirmaram que haviam sido torturados para confessar o crime. Rodrigues, que segundo a polícia confessou o assassinato, à Justiça passou a negar o crime, sob alegação de que também foi torturado.

O promotor diz não acreditar que os rapazes tenham sido torturados e, novamente, citou os laudos que descartaram as agressões. Ele afirma não ter detectado irregularidade ou indício de tortura no momento da prisão.

Após anunciar a sentença, o juiz afirmou que pedirá investigação para a denúncia de tortura contra Rodrigues.

Júri

O julgamento dos jovens durou três dias e foi realizado no fórum de Guarulhos.

Na terça (18), foram ouvidas, entre outras pessoas, os policiais militares e o delegado responsáveis pela prisão do trio. Todos negaram tortura contra os réus. Os PMs afirmaram que Renato ofereceu, na ocasião, R$ 20 mil para evitar a prisão.

No mesmo dia, a Justiça ouviu Rodrigues. Ele admitiu ter cometido outros crimes dos quais é suspeito --sem especificar quais seriam--, mas, em diversos momentos, negou que tenha assassinado Vanessa. "Me levaram ao local [onde a jovem foi morta] e mostraram onde estava o cadáver. Falaram que no dia seguinte eu ia retornar até lá e que eu tinha de falar o que eles estavam mandando", disse durante o julgamento.

Na quarta (19), três testemunhas arroladas pela defesa dos jovens apresentaram álibis que afastam --segundo suas versões-- a possibilidade de os rapazes terem participado do crime.

Os três acusados voltaram a negar envolvimento na morte de Vanessa.

Em seus depoimentos, William e Wagner também contestaram os resultados dos exames de corpo de delito. Segundo eles, os laudos médicos eram falsos. Entretanto, o promotor Levy Emanuel Magno disse que oito médicos realizaram os exames com os réus despidos, em datas distintas, e não encontraram hematomas.

Também ouvido na quarta, o defensor público Luiz Eduardo de Toledo Coelho, que representa o chamado "maníaco", também foi ouvido e afirmou que seu cliente confessou o crime sob tortura e que ele não estava na cidade na ocasião da morte de Vanessa.

Nesta quinta, foi exibido um vídeo com o testemunho de Rodrigues durante depoimento ao delegado Jackson César Batista, do DHPP (Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa) de Guarulhos. Na gravação, ele confirma o assassinato da vítima. Ele conta que abordou Vanessa com uma arma calibre 38, a levou para um matagal e deu uma "gravata" na vítima, que morreu estrangulada. Depois ele afirma que tirou a roupa de Vanessa, mas que não cometeu nenhuma violência sexual. Ele também diz que roubou o celular da vítima e trocou por 15 pedras de crack.

Colaborou LÍVIA MARRA, editora de Cotidiano da Folha Online

 

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