Governo do Rio diz que não vai ceder a estratégia da Azul para operar no Santos Dumont
LUISA BELCHIOR
Colaboração para a Folha Online, no Rio
O governo do Rio e a Azul Linhas Aéreas ainda estão em "desacordo" nas estratégias para explorar os aeroportos cariocas, disse nesta terça-feira o secretário de Desenvolvimento fluminense, Júlio Bueno. Bueno afirmou que não vai aceitar a proposta da Azul de operar do aeroporto Santos Dumont direto para outras capitais brasileiras, mesmo que, para isso, a empresa não se fixe no Rio.
"Eles é que têm que se encaixar na estratégia do Estado, e não o Estado se encaixar na estratégia da Azul", declarou na tarde desta terça-feira o secretário.
A companhia aérea pediu autorização à Infraero para se instalar no Santos Dumont e, de lá, fazer vôos para capitais brasileiras além de São Paulo. Mas, para o governo do Rio, a proposta não é rentável, porque, segundo Bueno, tira passageiros do aeroporto internacional Tom Jobim, cuja privatização é fortemente defendida pelo governador do Rio, Sérgio Cabral.
"O que não queremos é que ela [Azul] opere direto do Rio para as capitais brasileiras. Isso faria migrar o tráfego hoje estabelecido no Tom Jobim, com milhares de passageiros, para o Santos Dumont, desestruturando o Tom Jobim como um 'hub' [centro de conexão de vôos]", declarou Bueno.
Uma das principais razões para negar a proposta da Azul é que, na avaliação do governo, não há benefícios financeiros e de mais passageiros na transferência de vôos para o Santos Dumont. O secretário disse que é "fundamental concentrar vôos" no aeroporto internacional Tom Jobim.
"Se aceitássemos essa proposta, não acresceríamos novos passageiros. Isso ainda desestruturaria os vôos internacionais, que temos conquistados a duras penas".
Segundo o secretário, o aeroporto Tom Jobim tem uma capacidade mais de três vezes maior de passageiros (11 milhões) que o Santos Dumont (3,5 milhões).
Bueno afirmou que não aceitará a proposta da Azul como condição para que ela se fixe no Rio, mas que "gostaríamos muito que a Azul viesse operar no Rio, desde que inserido na estratégia do Estado".
A Azul ainda não se pronunciou sobre a posição do governo do Rio.


