Repórter relata cenário de desolação em trajeto a Blumenau (SC)
JOSÉ EDUARDO RONDON
da Agência Folha, em Blumenau
A liberação das rodovias que permitem o acesso da cidade de Navegantes a Blumenau --em Santa Catarina-- fez com que, às 10h48 desta terça-feira, a reportagem, em um táxi, desse início a uma viagem ao epicentro da tragédia das chuvas em Santa Catarina.
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A informação de que havia como se chegar a Blumenau circulou no aeroporto de Navegantes, após dois carros que saíram daquela cidade terem chegado ao local. A notícia da liberação provocou agitação e uma procura por táxis no município, que estava com diversos acessos interditados nos últimos dias.
| Moacyr Lopes Júnior/Folha Imagem |
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Na segunda-feira (24) a Folha tentou fazer o mesmo percurso, mas foi obrigada a voltar depois de cinco quilômetros. No meio da pista, alagada, havia até um barco parado.
O cenário no entorno de estradas como as BRs 470 e 101 é de desolação e mostram mais claramente os danos causados pelas chuvas.
O que se vê são casas submersas, pessoas saindo de barco das moradias, parte de morros encobrindo as pistas e árvores caindo pelo trajeto, que se encerrou em Blumenau às 12h15, quase uma hora e meia depois da partida. Normalmente, a viagem de carro demoraria por volta de 40 minutos.
No momento em que a reportagem percorreu o trajeto de carro, a chuva deu uma trégua na região. Isso fez com que outros motoristas também se arriscassem a fazer a viagem na mesma hora.
| Moacyr Lopes Junior/Folha Imagem |
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Para se chegar a Blumenau, vindo de Navegantes em meios aos estragos provocados pelas enchentes, é necessário um desvio por rodovias secundárias, o que aumenta em cerca de 40 km a distância.
No caminho, partes de cidades como Itajaí, Brusque e Gaspar estão debaixo d'água. Ao lado da BR-101 em Itajaí, cerca de 40 carros boiavam em um local que se assemelhava a uma oficina mecânica.
Ali, o transbordamento era o do rio Itajaí-Mirim. Ao passar por trechos de estrada, espremidos entre morros e com muita terra caída na pista, a sensação que se tem é que mais desmoronamentos ainda vão acontecer.
Próximo a Brusque, o trânsito parou por causa de terra e árvores na pista. Em uma outra parte, só pelo acostamento se consegue seguir em frente. Às margens da estrada, pequenas plantações de produtores da região estão alagadas.
Sem alívio
Em Gaspar, a cerca de cem metros de distância da estrada, há casas com água até o teto. De uma delas, uma moradora era resgatada por um barco. Ao lado da pista, algumas pessoas com bicicletas transportando galões de 20 litros, vazios, procuravam água para beber.
Perto de Blumenau, há áreas em que os morros parecem derreter. Neles, pedaços de terra se desprendem. Quando se chega a Blumenau, não há nenhuma sensação de alívio com o término da viagem. O único pensamento é o de não ter de refazer o trajeto de volta até Navegantes.
| Alan Pedro - 23.nov.08/Divulgação | ||
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