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Cotidiano
27/11/2008 - 08h53

Em loja alagada de Itajaí (SC), saqueadores levam de tudo

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VINÍCIUS QUEIROZ GALVÃO
MOACYR LOPES JUNIOR
ALENCAR IZIDORO
dos enviados especiais da Folha de S.Paulo a Itajaí

Nas ruas do bairro de Cidade Nova, na periferia de Itajaí, um boato se espalha. Uma nova onda de saques começava. Foi a vez do Maxxi, loja atacadista da rede Wal-Mart.

Tomados pela água enlameada, os corredores da loja eram um rio sujo com lixo a boiar. Lixo é modo de dizer: eram mercadorias que caíram ou eram jogadas das prateleiras. Com a água na altura do pescoço, os saqueadores levavam tudo o que estava ao alcance das mãos.

Heda Wenzel/Leitora
Ruas e lojas alagam em Itajaí; onda de saques atinge pontos comerciais da cidade e policiais são deslocados para proteção
Ruas e lojas alagam em Itajaí; onda de saques atinge pontos comerciais da cidade e policiais são deslocados para proteção

Uma mulher grita a um conhecido: "Tu não queres um chester? Tem um boiando ali".

Uns juntavam chinelos, outros recolhiam bebidas: água, refrigerantes, cerveja e até champanhe. ""É para o Réveillon", dizia um deles sem culpa.

Cabos de vassoura eram feitos de suporte para carregar as "compras" do mês nos ombros. No interior da loja, numa escuridão em que quase nada se via, famílias garimpavam os produtos largados no chão e escalavam as prateleiras.

Do lado de fora, bicicletas, carroças, carrinhos de mão, carros velhos e de luxo e até caminhões eram carregados com os produtos. Um deficiente físico pedalava um triciclo com uma perna só e, junto com bebidas, carregava uma muleta.

Heda Wenzel/Leitora
Saques a mercados e a casas abandonadas em Itajaí ocorrem desde o início da semana
Saques a mercados e a casas abandonadas em Itajaí ocorrem desde o início da semana

A polícia passava indiferente àquela multidão de ao menos 5.000 saqueadores. Um policial com cassetete e revólver na cintura interrompe a entrevista da reportagem com uma das pessoas e pede: ""Ô amigo, põe o carrinho para cima do canteiro que estamos liberando a rua".

Portas fechadas

Quem visitasse ontem os bairros centrais de Itajaí ainda poderia se sentir num feriado. Boa parte do comércio seguia, pelo terceiro dia seguido, sem abrir as portas. A interrupção dos serviços atingia desde pequenos botequins a uma grande rede de lanchonetes.

Os supermercados, muitos dos quais foram alvos de saques nos dias anteriores, funcionavam sob a proteção de PMs. E algumas prateleiras estavam cada vez mais vazias.

No Mini-Preço, eram três os PMs destacados na tarde de ontem para ficar diante do supermercado. Na noite anterior, mais de cem homens e mulheres quebraram as portas de vidro e entraram no estabelecimento para saquear produtos. Um dos líderes entrou com um cavalo -para ganhar altura e quebrar as câmeras de vigilância, segundo explicação do gerente, Claudinei Cunha.

""A prateleira de uísque e cerveja foi a primeira a esvaziar", contava Cunha. Mas ontem a gôndola de água mineral também estava no fim.

Comentários dos leitores
Rodrigo França (1) 10/09/2009 23h45
Rodrigo França (1) 10/09/2009 23h45
SC foi atingida pelas chuvas no segundo ano em regiões distintas e na mesma época, no outono. Em 2008 foram Itajaí e Blumenau e agora, região do extremo-oeste.
A maior dificuldade está em reconstruir a estrutura como, energia para hospitais, agroindústrias e saúde sanitária nas cidades afetadas.
Além dos subsídios e contribuições, a prevenção releva a atenção em abastecer almoxarifados com materiais, geradores, vacinas e recursos nessas regiões.
O prejuízo nas indústrias, estradas e porto de Itajaí, produção agrícola, reflete na economia do turismo em Florianópolis, Balneário Camboriú e Porto Belo, região onde se concentram a praias visitadas no verão.
A BR 101 está quase toda duplicada, verão a economia do litoral aquece como o clima.
sem opinião
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fernando carlos (1) 13/01/2009 15h20
fernando carlos (1) 13/01/2009 15h20
Santa CAtarina virou uma calamidade, os entes públicos deixaram a desejar, faltou é criatividade, no meio de tanta desgraça, teriam eles que motivar os turistas. 4 opiniões
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Diego Vezaro (1) 13/01/2009 12h29
Diego Vezaro (1) 13/01/2009 12h29
Olá meu nome é Diego.
Eu passei 15 dias de férias em Florianópolis, Sc, e região, no final de ano.
O que pude observar é que este ano, houve um número bem menor de turistas, em relação aos outros anos.
Em minha opinião, faltou por parte da administração pública de Sc, uma maior divulgação na mídia do Brasil inteiro, informando a todos que o Estado encontrava-se apto a receber turistas, como nos outros anos.
É uma pena, já que grande parte da arrecadação do Estado, imagino eu, depende do Turismo, e essa parcela poderia ser importante para a reconstrução das áreas atingidas pelas chuvas.
Espero que em 2009, haja uma maior preocupação da parte pública com o Estado, e isso vale para o Brasil inteiro, para que oportunidades como esta não passem desapercebidas.
Abraço a todos!
Diego
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