Em loja alagada de Itajaí (SC), saqueadores levam de tudo
VINÍCIUS QUEIROZ GALVÃO
MOACYR LOPES JUNIOR
ALENCAR IZIDORO
dos enviados especiais da Folha de S.Paulo a Itajaí
Nas ruas do bairro de Cidade Nova, na periferia de Itajaí, um boato se espalha. Uma nova onda de saques começava. Foi a vez do Maxxi, loja atacadista da rede Wal-Mart.
Tomados pela água enlameada, os corredores da loja eram um rio sujo com lixo a boiar. Lixo é modo de dizer: eram mercadorias que caíram ou eram jogadas das prateleiras. Com a água na altura do pescoço, os saqueadores levavam tudo o que estava ao alcance das mãos.
| Heda Wenzel/Leitora |
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| Ruas e lojas alagam em Itajaí; onda de saques atinge pontos comerciais da cidade e policiais são deslocados para proteção |
Uma mulher grita a um conhecido: "Tu não queres um chester? Tem um boiando ali".
Uns juntavam chinelos, outros recolhiam bebidas: água, refrigerantes, cerveja e até champanhe. ""É para o Réveillon", dizia um deles sem culpa.
Cabos de vassoura eram feitos de suporte para carregar as "compras" do mês nos ombros. No interior da loja, numa escuridão em que quase nada se via, famílias garimpavam os produtos largados no chão e escalavam as prateleiras.
Do lado de fora, bicicletas, carroças, carrinhos de mão, carros velhos e de luxo e até caminhões eram carregados com os produtos. Um deficiente físico pedalava um triciclo com uma perna só e, junto com bebidas, carregava uma muleta.
| Heda Wenzel/Leitora |
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| Saques a mercados e a casas abandonadas em Itajaí ocorrem desde o início da semana |
A polícia passava indiferente àquela multidão de ao menos 5.000 saqueadores. Um policial com cassetete e revólver na cintura interrompe a entrevista da reportagem com uma das pessoas e pede: ""Ô amigo, põe o carrinho para cima do canteiro que estamos liberando a rua".
Portas fechadas
Quem visitasse ontem os bairros centrais de Itajaí ainda poderia se sentir num feriado. Boa parte do comércio seguia, pelo terceiro dia seguido, sem abrir as portas. A interrupção dos serviços atingia desde pequenos botequins a uma grande rede de lanchonetes.
Os supermercados, muitos dos quais foram alvos de saques nos dias anteriores, funcionavam sob a proteção de PMs. E algumas prateleiras estavam cada vez mais vazias.
No Mini-Preço, eram três os PMs destacados na tarde de ontem para ficar diante do supermercado. Na noite anterior, mais de cem homens e mulheres quebraram as portas de vidro e entraram no estabelecimento para saquear produtos. Um dos líderes entrou com um cavalo -para ganhar altura e quebrar as câmeras de vigilância, segundo explicação do gerente, Claudinei Cunha.
""A prateleira de uísque e cerveja foi a primeira a esvaziar", contava Cunha. Mas ontem a gôndola de água mineral também estava no fim.
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