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Cotidiano
27/11/2008 - 12h51

Sem energia nem telefone, morador fica "ilhado" em seu apartamento em Balneário Camboriú (SC)

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Colaboração para a Folha Online

Atualizado em 28/11/2008 às 12h42.

Com telefones mudos e sem energia elétrica, o administrador de empresas Everton Barneche Cardoso, 28, acompanhou do alto de seu apartamento o cenário de destruição se formar na cidade de Balneário Camboriú (SC), onde mora há um ano com a mulher, Audrey Hömann, 27.

Arquivo pessoal
Everton B. Cardoso ficou sem comunicação durante a enchente
Everton B. Cardoso ficou sem comunicação durante a enchente

Da segurança do 19º andar, mas ilhado e sem comunicação, Cardoso disse que mal podia imaginar a dimensão do que acontecia na cidade. "Sem energia, não podíamos saber o que aconteceu. Os telefones não funcionavam, os celulares estavam sem contato", disse.

Segundo o administrador, do sábado (22) à tarde até a segunda-feira (24) ele e a mulher ficaram sem poder sair de casa. "No sábado, nós ainda tentamos sair, mas na esquina já percebemos que não tinha como continuar", afirmou. Mesmo com uma trégua nas chuvas, a situação não se modificou. "A chuva parou, mas continuou enchendo de água de forma assustadora."

Na terça-feira, quando finalmente ele e a mulher conseguiram sair às ruas, e percorreram cidades vizinhas como Itajaí --onde Cardoso presenciou cenas de saques-- e Blumenau. O cenário era devastador. "A cena era de guerra, a cidade totalmente destruída, mercados saqueados. Começou a ter cenas de violência, porque as pessoas perderam a noção do que é certo e errado, por causa do desespero. Claro que também existe muito oportunismo", disse Cardoso.

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Na vizinha Itajaí, onde ele trabalha, casas estavam cobertas pela água. Os marcos existentes na cidade que marcam até onde a água chegou na última grande enchente, ocorrida em 1983, davam mostras da dimensão da enxurrada deste ano. "Esses marcos foram alcançados na segunda-feira, logo após o meio dia".

Ao entrar em contato com a devastação e ouvir relatos de perdas materiais e humanas, Cardoso afirma que se abateu sobre ele um sentimento de impotência. Segundo ele, no prédio onde sua mulher trabalha uma faxineira e um zelador perderam a casa, os móveis e sequer tinham um lugar para tomar banho.

"A gente olha a situação e vê um senhor de aproximadamente 50 anos que começa a chorar e não consegue fazer nada", afirma. Uma família que ele conhece em Itajaí ainda estava desaparecida. "A gente não consegue localizar, não sabe se estão em abrigos ou se foram algumas das vítimas", diz.

Comentários dos leitores
fernando carlos (1) 13/01/2009 15h20
fernando carlos (1) 13/01/2009 15h20
Santa CAtarina virou uma calamidade, os entes públicos deixaram a desejar, faltou é criatividade, no meio de tanta desgraça, teriam eles que motivar os turistas. 1 opinião
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Diego Vezaro (1) 13/01/2009 12h29
Diego Vezaro (1) 13/01/2009 12h29
Olá meu nome é Diego.
Eu passei 15 dias de férias em Florianópolis, Sc, e região, no final de ano.
O que pude observar é que este ano, houve um número bem menor de turistas, em relação aos outros anos.
Em minha opinião, faltou por parte da administração pública de Sc, uma maior divulgação na mídia do Brasil inteiro, informando a todos que o Estado encontrava-se apto a receber turistas, como nos outros anos.
É uma pena, já que grande parte da arrecadação do Estado, imagino eu, depende do Turismo, e essa parcela poderia ser importante para a reconstrução das áreas atingidas pelas chuvas.
Espero que em 2009, haja uma maior preocupação da parte pública com o Estado, e isso vale para o Brasil inteiro, para que oportunidades como esta não passem desapercebidas.
Abraço a todos!
Diego
7 opiniões
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Cristiane de Brito Gois (1) 06/01/2009 15h38
Cristiane de Brito Gois (1) 06/01/2009 15h38
Os meios de comunicação são muito importantes pra todos nós, mas acho que toda informação deve ser avaliada qual a melhor forma a ser passada.
Passei 15 dias em Florianópolis e não aconteceu nada por lá, mesmo quando houve a inundação em Itajaí e outros bairros, minha irmã mora lá e eles não foram afetados de foram nenhuma. Fui de carro, as estradas estão perfeitas e não houve desmoronamento nas pistas, isto ocorreu no sentido SC-RS.
Falar que convidar turistas para lá é colocar mais pessoas em perigo é um comentário que só deve ser dado quando realmente tem a plena certeza do que se está falando. Quando informam que Santa Catarina está em estado de alerta, se diz que todo o estado, todos os bairros estão em dificuldades, o que NÃO é verdade, Floripa e outras praias que estão no continente e não na ilha continuam lindas e ótimas para passear e para obeservar o lugar lindo e maravilhoso que é SC.
Acho só que devemos primeiro averiguar até que ponto a notícia e precisa. Do resto pessoal podem ir que vcs não vão se arrepender de ver as 146 praias e cachoeiras e trilhas que existem por lá.
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