Sem energia nem telefone, morador fica "ilhado" em seu apartamento em Balneário Camboriú (SC)
Colaboração para a Folha Online
Atualizado em 28/11/2008 às 12h42.
Com telefones mudos e sem energia elétrica, o administrador de empresas Everton Barneche Cardoso, 28, acompanhou do alto de seu apartamento o cenário de destruição se formar na cidade de Balneário Camboriú (SC), onde mora há um ano com a mulher, Audrey Hömann, 27.
| Arquivo pessoal |
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| Everton B. Cardoso ficou sem comunicação durante a enchente |
Da segurança do 19º andar, mas ilhado e sem comunicação, Cardoso disse que mal podia imaginar a dimensão do que acontecia na cidade. "Sem energia, não podíamos saber o que aconteceu. Os telefones não funcionavam, os celulares estavam sem contato", disse.
Segundo o administrador, do sábado (22) à tarde até a segunda-feira (24) ele e a mulher ficaram sem poder sair de casa. "No sábado, nós ainda tentamos sair, mas na esquina já percebemos que não tinha como continuar", afirmou. Mesmo com uma trégua nas chuvas, a situação não se modificou. "A chuva parou, mas continuou enchendo de água de forma assustadora."
Na terça-feira, quando finalmente ele e a mulher conseguiram sair às ruas, e percorreram cidades vizinhas como Itajaí --onde Cardoso presenciou cenas de saques-- e Blumenau. O cenário era devastador. "A cena era de guerra, a cidade totalmente destruída, mercados saqueados. Começou a ter cenas de violência, porque as pessoas perderam a noção do que é certo e errado, por causa do desespero. Claro que também existe muito oportunismo", disse Cardoso.
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Na vizinha Itajaí, onde ele trabalha, casas estavam cobertas pela água. Os marcos existentes na cidade que marcam até onde a água chegou na última grande enchente, ocorrida em 1983, davam mostras da dimensão da enxurrada deste ano. "Esses marcos foram alcançados na segunda-feira, logo após o meio dia".
Ao entrar em contato com a devastação e ouvir relatos de perdas materiais e humanas, Cardoso afirma que se abateu sobre ele um sentimento de impotência. Segundo ele, no prédio onde sua mulher trabalha uma faxineira e um zelador perderam a casa, os móveis e sequer tinham um lugar para tomar banho.
"A gente olha a situação e vê um senhor de aproximadamente 50 anos que começa a chorar e não consegue fazer nada", afirma. Uma família que ele conhece em Itajaí ainda estava desaparecida. "A gente não consegue localizar, não sabe se estão em abrigos ou se foram algumas das vítimas", diz.
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