Porto de Itajaí amarga prejuízo de US$ 350 milhões e deve retomar ritmo em 15 dias
FERNANDO ANTUNES
colaboração para a Folha Online
A paralisação do porto de Itajaí, uma das cidades afetadas pelas chuvas que assolam Santa Catarina, gera, em dez dias, um prejuízo estimado em ao menos US$ 350 milhões --US$ 35 mil ao dia. Itajaí é o porto com maior movimentação de carne refrigerada do Brasil, principalmente de frango, e o segundo maior no fluxo de cargas em contêineres. A administração afirma que 4% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro passa por este porto.
"São mais de US$ 350 milhões em mercadorias que deixaram de ser movimentadas. Mas o maior prejuízo foram os estragos no cais", disse o superintendente do porto, Arnaldo Schmitt, explicando que a forte correnteza do rio Itajaí-Açu já havia parado o porto por alguns dias antes das enchentes.
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Ontem, o governo federal acatou o pedido da administração do porto de Itajaí e anunciou recursos de R$ 350 milhões para reparação do local. Apesar da verba aprovada, o superintendente explicou que ainda não tem como calcular os prejuízos na infra-estrutura do local.
Schmitt explicou que o aumento do nível da água do rio destruiu integralmente o berço 1, e parcialmente os berços 2 e 3. Com pequenas avarias, apenas o berço de número 4 tem condições de entrar em operação. A meta é que o porto volte a operar com até 80% da sua capacidade em 15 dias.
| Reprodução |
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| Imagem do sistema de câmeras mostra o canal de acesso do cais do porto de Itajaí tomado pela água após vários dias de chuva |
"A paralisação do nosso porto não afeta só Itajaí, mas todo o Brasil", afirmou Schimitt, que foi prefeito dessa cidade por dois mandatos: 1983-1988 e 1993-1996.
Para atingir a meta de operação, o superintendente explicou que antecipará a entrega do berço zero, que está em fase final de construção, para que comece a operar em 15 dias, além do berço 4. Segundo ele, com um esquema de operação especial, os dois locais de atracação --chamados de berços-- poderiam sustentar entre 75% e 80% da movimentação normal.
"Conversei com os técnicos e os operários vão trabalhar os próximos 15 dias, durante as 24h, para entregar o berço zero pronto", disse o superintendente.
Sem ainda ter dados suficientes para estimar quando o porto voltará operar com sua capacidade máxima, Schimitt explicou que só a reconstrução do berço 1 irá demorar, pelo menos, seis meses.
Além disso, o responsável informou que existem alguns bancos de terra que reduziram a profundidade do canal por onde passam os navios. A profundidade ideal é de 12 metros, mas existem áreas com 8 metros e até 7 metros. Para resolver isso, a administração do porto --que é municipal-- vai contratar uma empresa em caráter de emergência para fazer a dragagem do canal.
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