A cada hora é diagnosticado um caso de câncer infantil no Brasil, diz Inca
LUISA BELCHIOR
Colaboração para a Folha Online, no Rio
A cada hora é diagnosticado em crianças alguma espécie de câncer no Brasil, segundo pesquisa divulgada pelo Inca (Instituto Nacional do Câncer) nesta quinta-feira, Dia Nacional de Combate ao Câncer. A incidência é de 9.890 casos anualmente em crianças e adolescentes morrem.
O câncer é a doença que mais mata na faixa etária de 5 a 19 anos no país. Apesar de ser a primeira pesquisa do gênero no Brasil, ela mostra que ao longo dos anos houve uma desaceleração no número de mortes no país, o que acompanha uma tendência mundial.
Nos últimos 30 anos, as chances de crianças e jovens com câncer diagnosticado se curarem passaram de 15% para 85%, em um movimento exatamente oposto ao das taxas de mortalidade, aponta o estudo.
Feito com dados fornecidos por centros de Registro de Câncer por Base Populacional em 20 cidades brasileiras, o levantamento indica que, entre 2001 e 2005, o câncer infantil foi a segunda causa de morte entre a população de 5 a 19 anos. Ficou atrás apenas das mortes por causas externas, como acidentes e violência. Já nas mortes por doenças diagnosticadas nesta faixa etária, o câncer foi a causa mais comum.
No mesmo período, o índice de mortalidade por câncer infantil no Brasil foi de cerca de 40 para cada 1 milhão de crianças e adolescentes, uma incidência que se mantém estável desde a década de 1990, após um período de crescimento, conforme o estudo. Os pesquisadores disseram ainda não saber, contudo, as causas desse aumento.
"Ninguém sabe se o que aumentou foi o diagnóstico da doença ou a incidência mesmo", disse a pesquisadora Beatriz de Camargo, uma das autoras do estudo.
As menores taxas de câncer infantil foram registradas nas regiões Norte (36 por um milhão) e Nordeste (35), contra 42 a cada milhão de crianças e jovens no Sudeste, 44 no Sul e 46 no Centro-Oeste. Mas os autores do estudo dizem que as diferenças podem estar ligadas à falta de diagnóstico nas regiões mais pobres, cujas taxas vêm crescendo, em movimento contrário das outras regiões.
"O Brasil é muito desigual nesse aspecto também. Temos melhores resultados no Sul e no Sudeste", afirmou o diretor-geral do Inca, Luiz Antonio Santini.
Tipos de câncer
Entre os casos da doença, a leucemia foi a mais comum (29% dos casos de câncer infantil) no período pesquisado pelo Inca, seguida do linfoma (15,5%) e de tumores do sistema nervoso central (13,4%). A tendência no Brasil é a mesma da mundial, segundo aponta o estudo do Inca.
Diagnóstico
Apesar de ainda ser considerado raro, o câncer infanto-juvenil, na avaliação do Inca, já representa uma parcela importante das mortes infantis no país e, por isso, devem ser levados mais em conta por pediatras. O instituto considera que ainda há muita falta de informação entre os médicos, principalmente pelos sintomas de tumores serem parecidos aos de doenças mais comuns, como febre alta.
"Temos que fazer com que pediatras sejam alertados para o fato de que o câncer é uma doença importante na população infanto-juvenil, para que eles levem isso em conta na hora do diagnóstico. O diagnóstico inicial não é fácil, porque os sintomas são muito parecidos aos de doenças simples", afirmou Santini.
Para os enfermeiros Patrícia Freitas, 29, e John Bento de Freitas, 32, o diagnóstico rápido contribuiu para o tratamento de um tumor cerebral do filho único do casal, Gabriel, de 2 anos. Ele teve câncer diagnosticado depois que um pediatra, desconfiado com movimentos irregulares no glóbulo ocular do menino, então com 5 meses de idade, o encaminhou para um neurologista.
"Na claridade, nós observamos essa irregularidade e levamos ao pediatra, que nos encaminhou para um neurologista", contou Patrícia Freitas. Após passar por operação, o filho de Patrícia passa por sessões de quimioterapia e vai toda semana ao Inca, no Rio.
"Nas crianças, o câncer evolui muito rápido, mas a possibilidade de resposta ao tratamento é também muito maior", disse o coordenador de Vigilância do Inca e um dos autores do estudo, Cláudio Noronha.
Estudo
O estudo divulgado nesta quinta-feira está disponível na íntegra no site do Inca.
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