Em Ilhota (SC), médico fica mais de 60 horas sem dormir atendendo vítimas
RENATA BAPTISTA
da Agência Folha
O plantão do médico Lucas Gonçalves, 43, começou na manhã de segunda-feira (24) e se estendia até a noite de hoje, quando ele ainda trabalhava no atendimento às vítimas no município de Ilhota, que teve 29 mortes causadas pelas chuvas, segundo boletim divulgado na noite desta quinta-feira pela Defesa Civil.
Após mais de 60 horas de trabalho ininterruptos, ele só dormiu algumas horas na madrugada de quinta. Mas logo cedo já estava de pé para ser levado ao Braço do Baú, uma das regiões mais afetadas da cidade pelas cheias, onde fez atendimentos durante o dia todo.
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| Fernando Donasci/Folha Imagem |
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Gonçalves foi levado de Itajaí, onde mora com a mulher e uma das duas filhas, por um helicóptero até Ilhota, onde trabalha no Programa de Saúde da Família. A cidade estava completamente isolada.
Nas primeiras 48 horas, ele não tinha com quem revezar o trabalho. O médico perdeu as contas de quantos atendimentos realizou --na maioria, suturas em pés e pernas.
"As pessoas estão muito feridas. Infecção é o que mais nos preocupa.Também estou conversando com elas sobre o risco de leptospirose e os sintomas."
Mesmo após a chegada de reforço, ontem pela manhã, o médico seguiu trabalhando e pediu para ser levado de helicóptero a mais áreas isoladas. "Não conseguiria ir para casa dormir sabendo dessa situação", diz Gonçalves.
Segundo ele, é impossível não se comover ao ver as pessoas que vem tratando e acompanhando rotineiramente há dois anos "terem suas vidas ceifadas por esta tragédia".
| Moacyr Lopes Jr-26.nov.08./Folha Imagem |
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"Estou vendo a destruição e a tristeza dessas pessoas. Elas nem tem forças para recomeçar porque o terror ainda não acabou", afirma o médico.
Gonçalves diz achar que as pessoas se sentem um pouco mais reconfortadas em vê-lo. "A figura do médico transmite segurança. Os conhecidos sempre vêm falar comigo."
Ele diz que o momento mais difícil nestes dias foi atender um casal que não conseguiu salvar a filha, de quatro anos. A mulher, que estava grávida de sete meses, quebrou as duas pernas e perdeu o bebê. O homem tinha graves ferimentos nas pernas.
"Não conseguiram segurar a filhinha, estavam muito feridos. Levar más notícias é a pior parte do trabalho." O casal continuava internado hoje em estado grave, com septicemia. Com 11 anos de profissão, ele diz que trabalhará no resgate o quanto for necessário.
"Ainda acho pouco o que fiz. Diante de tudo que está acontecendo, acho que tinha que fazer mais."
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A maior dificuldade está em reconstruir a estrutura como, energia para hospitais, agroindústrias e saúde sanitária nas cidades afetadas.
Além dos subsídios e contribuições, a prevenção releva a atenção em abastecer almoxarifados com materiais, geradores, vacinas e recursos nessas regiões.
O prejuízo nas indústrias, estradas e porto de Itajaí, produção agrícola, reflete na economia do turismo em Florianópolis, Balneário Camboriú e Porto Belo, região onde se concentram a praias visitadas no verão.
A BR 101 está quase toda duplicada, verão a economia do litoral aquece como o clima.
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Eu passei 15 dias de férias em Florianópolis, Sc, e região, no final de ano.
O que pude observar é que este ano, houve um número bem menor de turistas, em relação aos outros anos.
Em minha opinião, faltou por parte da administração pública de Sc, uma maior divulgação na mídia do Brasil inteiro, informando a todos que o Estado encontrava-se apto a receber turistas, como nos outros anos.
É uma pena, já que grande parte da arrecadação do Estado, imagino eu, depende do Turismo, e essa parcela poderia ser importante para a reconstrução das áreas atingidas pelas chuvas.
Espero que em 2009, haja uma maior preocupação da parte pública com o Estado, e isso vale para o Brasil inteiro, para que oportunidades como esta não passem desapercebidas.
Abraço a todos!
Diego
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