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Cotidiano
27/11/2008 - 21h58

Em Ilhota (SC), médico fica mais de 60 horas sem dormir atendendo vítimas

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RENATA BAPTISTA
da Agência Folha

O plantão do médico Lucas Gonçalves, 43, começou na manhã de segunda-feira (24) e se estendia até a noite de hoje, quando ele ainda trabalhava no atendimento às vítimas no município de Ilhota, que teve 29 mortes causadas pelas chuvas, segundo boletim divulgado na noite desta quinta-feira pela Defesa Civil.

Após mais de 60 horas de trabalho ininterruptos, ele só dormiu algumas horas na madrugada de quinta. Mas logo cedo já estava de pé para ser levado ao Braço do Baú, uma das regiões mais afetadas da cidade pelas cheias, onde fez atendimentos durante o dia todo.

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Fernando Donasci/Folha Imagem
Vítimas da chuva em SC usam barco para transportar alimentos; chuva causou 99 mortes e ainda há pessoas desaparecidas
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Gonçalves foi levado de Itajaí, onde mora com a mulher e uma das duas filhas, por um helicóptero até Ilhota, onde trabalha no Programa de Saúde da Família. A cidade estava completamente isolada.

Nas primeiras 48 horas, ele não tinha com quem revezar o trabalho. O médico perdeu as contas de quantos atendimentos realizou --na maioria, suturas em pés e pernas.

"As pessoas estão muito feridas. Infecção é o que mais nos preocupa.Também estou conversando com elas sobre o risco de leptospirose e os sintomas."

Mesmo após a chegada de reforço, ontem pela manhã, o médico seguiu trabalhando e pediu para ser levado de helicóptero a mais áreas isoladas. "Não conseguiria ir para casa dormir sabendo dessa situação", diz Gonçalves.

Segundo ele, é impossível não se comover ao ver as pessoas que vem tratando e acompanhando rotineiramente há dois anos "terem suas vidas ceifadas por esta tragédia".

Moacyr Lopes Jr-26.nov.08./Folha Imagem
Em Ilhota, uma das cidades mais atingidas pelas chuvas que atingem Santa Catarina, idosa é resgatada de comunidade rural isolada
Em Ilhota, uma das cidades mais atingidas pelas chuvas que atingem Santa Catarina, idosa é resgatada de comunidade rural isolada

"Estou vendo a destruição e a tristeza dessas pessoas. Elas nem tem forças para recomeçar porque o terror ainda não acabou", afirma o médico.

Gonçalves diz achar que as pessoas se sentem um pouco mais reconfortadas em vê-lo. "A figura do médico transmite segurança. Os conhecidos sempre vêm falar comigo."

Ele diz que o momento mais difícil nestes dias foi atender um casal que não conseguiu salvar a filha, de quatro anos. A mulher, que estava grávida de sete meses, quebrou as duas pernas e perdeu o bebê. O homem tinha graves ferimentos nas pernas.

"Não conseguiram segurar a filhinha, estavam muito feridos. Levar más notícias é a pior parte do trabalho." O casal continuava internado hoje em estado grave, com septicemia. Com 11 anos de profissão, ele diz que trabalhará no resgate o quanto for necessário.

"Ainda acho pouco o que fiz. Diante de tudo que está acontecendo, acho que tinha que fazer mais."

Comentários dos leitores
carmem santos (16) 22/11/2009 11h17
carmem santos (16) 22/11/2009 11h17
eu como brasileira, agora com vergonha de ser,quero fazer uma critica a esse lula que air estar querendo aterrorisar nosso pais fazendo e pior trazendo esse presidente do irã pra car..o que ele quer com isso ?será possivel que esse luda não vai para de apoiar esse tipo de pessas terroristas,que mata as pessoas sem dor nem piedade,seria bom se com ele vinhece um homem bomba e quando entrase no planalto acionace o relogio quando tivese todos junto...para de apoiar bandido vai apoiar seu pove que estar morrendo afogado,nas balas perdidas,na secas do nordeste....e vc. só quer aparecer pra esse cara.....se liga cara...o brasil é de paz. sem opinião
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Rodrigo França (1) 10/09/2009 23h45
Rodrigo França (1) 10/09/2009 23h45
SC foi atingida pelas chuvas no segundo ano em regiões distintas e na mesma época, no outono. Em 2008 foram Itajaí e Blumenau e agora, região do extremo-oeste.
A maior dificuldade está em reconstruir a estrutura como, energia para hospitais, agroindústrias e saúde sanitária nas cidades afetadas.
Além dos subsídios e contribuições, a prevenção releva a atenção em abastecer almoxarifados com materiais, geradores, vacinas e recursos nessas regiões.
O prejuízo nas indústrias, estradas e porto de Itajaí, produção agrícola, reflete na economia do turismo em Florianópolis, Balneário Camboriú e Porto Belo, região onde se concentram a praias visitadas no verão.
A BR 101 está quase toda duplicada, verão a economia do litoral aquece como o clima.
sem opinião
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fernando carlos (1) 13/01/2009 15h20
fernando carlos (1) 13/01/2009 15h20
Santa CAtarina virou uma calamidade, os entes públicos deixaram a desejar, faltou é criatividade, no meio de tanta desgraça, teriam eles que motivar os turistas. 4 opiniões
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