"Moro aqui há 36 anos e nunca vi algo como isso", afirma moradora de Blumenau (SC)
MARINA ANDRADE
Colaboração para a Folha Online, em Santa Catarina
Em Blumenau, uma das cidades mais prejudicadas pelas chuvas que mataram dezenas de pessoas em Santa Catarina, a artista plástica Irace Soares de Oliveira, 76, voltou para a sua casa na tarde desta quinta-feira (27) com um único objetivo: resgatar alguns de seus quadros.
Acompanhada da família, ela lamenta a situação de seus vizinhos que perderam tudo e não consegue acreditar no ar sombrio que toma conta de sua rua.
"Moro aqui há 36 anos e nunca vi algo como isso. Passamos aqui as piores enchentes, escolhemos morar no alto, no morro, com medo das águas. Mas agora nem isso é seguro", afirmou desolada.
VIDEO: "Tem pessoas da família que não sabemos se estão vivas", relata morador
AUDIO: Médico fica ilhado por três dias em hospital de SC e relata drama causado pela chuva
VIDEO: "Estradas viraram rios e a terra desceu como lava de vulcão", diz morador
ÁUDIO: IML de Itajaí já não tem espaço para tantos corpos, diz repórter
ÁUDIO: Comissão irá acompanhar liberação de recursos para SC, diz deputado
| Marina Andrade/Folha Online |
![]() |
| Pessoas se arriscam em imóvel destruído pelas chuvas na tentativa de recuperar objetos na cidade de Blumenau, Santa Catarina |
Seu filho, o funcionário público Marco Túlio de Oliveira, 45, lembra o momento em que o Exército e a Defesa Civil exigiram que deixassem sua casa. "Foi no sábado. Alguns de nossos vizinhos que moram na encosta do morro não queriam deixar suas casas, pois insistiam que não iriam cair. Nós decidimos sair logo de casa, ficamos horas embaixo de uma marquise, tentando nos proteger da chuva, enquanto esperávamos um local para ficar", recorda.
A cidade decretou estado de calamidade pública e, de acordo com boletim divulgado na madrugada de hoje pela Defesa Civil, ao menos 22 mortes foram confirmadas em Blumenau, a maioria por soterramento.
"Morei aqui praticamente toda a minha vida. Ninguém imaginava que isto poderia acontecer. Antes do morro começar a desabar, uma árvore atingiu a casa da minha mãe e toda a arte que ela fez com material reciclado em nossa fachada", conta Oliveira.
Aflição
Desde o último sábado (22), o funcionário público voltou para casa apenas para retirar roupas e documentos. Ele afirmou que espera conseguir levar alguns móveis nesta sexta-feira. A família está hospedada em um hotel, mas como os gastos são muito altos, a família pensa agora em outra solução.
"Não sabemos se vamos alugar um apartamento, buscar um alojamento. Não sabemos o que fazer", disse a artista plástica.
A família espera a previsão do tempo para decidir o que fazer no futuro. A área foi vistoriada por engenheiros e geólogos que afirmaram que a casa ainda não corre risco iminente. Porém, alertaram que a situação depende da condição de outras residências.
"Se esta casa aqui da frente desabar a nossa começa a correr risco, pois o morro vai começar a cair ainda mais. Um engenheiro afirmou que esta construção é muito forte e não vai cair. Esta é nossa esperança", afirmou Oliveira.
Irace e o filho lamentam a forma como algumas pessoas reagem encaram a situação em que se encontra a cidade. "Fomos muito bem recebidos por moradores da região durante nossa primeira noite fora de casa, mas ao mesmo há pessoas que desrespeitam a situação", afirmou Irace.
"Se cada curioso me desse um real eu conseguiria reconstruir a minha casa. Eles têm que entender que as pessoas precisam de ajuda, não de curiosidade", disse Oliveira.
Balanço
De acordo com a Prefeitura de Blumenau, cerca de 23.000 estão desabrigados. Quase 4.900 pessoas estão alojadas em 61 abrigos públicos.
Ontem, a distribuição de energia elétrica era normal em 85% da cidade e o abastecimento de água chegava a 40% da população.
Leia mais
- Empresários criam fundo para comprar terrenos para desabrigados em SC
- Doações para vítimas de SC somam mais de R$ 2 mi
- Nível da água baixa, mas situação em Santa Catarina ainda é grave
- Polícia Rodoviária recomenda "kit de sobrevivência" a quem pega estrada em SC
- Em Ilhota (SC), médico fica mais de 60 horas sem dormir atendendo vítimas
- Escolas retomam aulas em Pomerode e Gaspar (SC) na próxima semana
Especial



avalie fechar
A maior dificuldade está em reconstruir a estrutura como, energia para hospitais, agroindústrias e saúde sanitária nas cidades afetadas.
Além dos subsídios e contribuições, a prevenção releva a atenção em abastecer almoxarifados com materiais, geradores, vacinas e recursos nessas regiões.
O prejuízo nas indústrias, estradas e porto de Itajaí, produção agrícola, reflete na economia do turismo em Florianópolis, Balneário Camboriú e Porto Belo, região onde se concentram a praias visitadas no verão.
A BR 101 está quase toda duplicada, verão a economia do litoral aquece como o clima.
avalie fechar
avalie fechar