Ruas tinham cheiro insalubre, diz moradora atingida pela enchente em Itajaí (SC)
Colaboração para a Folha Online
A engenheira agrônoma Angeli Schmitt Reinhardt, 49, conseguiu voltar à residência onde mora na quarta-feira (26), depois de ter de abandoná-la na manhã de domingo (23). A casa, no entanto, ainda não tem condições de ser habitada. Primeiro é preciso fazer todo um trabalho de limpeza.
Localizada em Itajaí, uma das cidades catarinenses mais atingidas pelas chuvas, o imóvel de Angeli não foi um dos mais atingidos no bairro. "A gente fica aliviada de não ter acontecido nada, diante de quadros tão catastróficos que vemos por aí", diz.
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A engenheira relata que no bairro onde mora algumas casas ficaram quase que completamente submersas enquanto na sua. Na dela, em um nível mais alto da rua, a água atingiu apenas cerca de 50 centímetros. Mas o suficiente para causar algumas perdas. Segundo a moradora, os armários embutidos da casa ficaram todos empenados e um freezer talvez não tenha condições de uso.
"O mais triste são suas recordações, muitos livros ficaram danificados. Não estou nem cuidando dessa parte para não me envolver emocionalmente", diz.
De acordo com Angeli, por volta das 4h20 de domingo ela percebeu que a água estava a cerca de 100 metros de sua casa. Por volta das 9h20 chegava próximo de invadir o imóvel. Ela e o filho, de 18 anos, deixaram a casa.
O carro da família não pôde ser utilizado para sair do local. O jeito foi enfrentar a pé o rio que se formava pelas ruas da vizinhança. "A gente teve de fazer um esforço tremendo, principalmente contra a correnteza", diz.
A água estava pelo joelho, segundo a engenheira, e era preciso tomar cuidado para não cair em um bueiro aberto pela força das águas ou esbarrar em móveis arrastados para as ruas ou pisar em cacos de garrafa que apareciam boiando. "Naqueles pontos em que a água fica mais parada fica um cheiro de produto orgânico em deposição e barro, um cheiro muito insalubre", afirma.
Angeli e o filho buscaram abrigo na casa de uma irmã dela. Ao retornar ao imóvel para ver a dimensão do estrago --o que foi possível apenas na manhã de quarta-feira--, a engenheira deparou com um cenário que tornou-se comum no bairro depois da enchente: lixo entulho, camas, colchões e vários móveis colocados do lado de fora das casas.
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