"Se me mandarem sair daqui, não sei para onde vou", diz vítima da enchente em abrigo
ALLAN SANTIN
colaboração para a Folha Online, em Santa Catarina
Em Blumenau, no Vale do Itajaí, em Santa Catarina, depois de uma semana de caos por conta da enchente e série de desmoronamentos que atingiu a região, 25 mil pessoas se encontram desabrigadas. Maior parte está na casa de vizinhos e parentes. Os que não tinham local para ficar, 5.209 pessoas, foram levados aos abrigos montados em 58 pontos do município, em 61 até sábado, muitos deles em escolas públicas, que tiveram as aulas encerradas neste ano.
No abrigo da Escola Básica Municipal Vidal Ramos, considerado modelo e o maior do município de Blumenau, uma jovem senhora se arruma para o lanche da tarde. A doméstica Maria Pereira penteia seus longos cabelos brancos e esfrega seus olhos azuis. Depois, pega sua netinha no colo e vai até a área onde funciona o refeitório da escola. Lá, pega um pão com frios e observa a reportagem, de longe.
A doméstica explica que levou "uma vida inteira" para construir a sua casa na rua José Isidoro Correia, que fica pendurada em um morro do bairro Vorstadt, na margem norte do rio Itajaí Açu. Ela também perdeu a sua casa, levada pelas chuvas. Passou um dia na casa do genro antes de ir para o abrigo.
Questionada sobre o que fará ao sair do abrigo, repete: "Não sei. Não sei." Hesita, mas responde: "Estou na mão do povo. Se mandarem eu sair daqui, não sei para onde vou."
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