Deslizamento atinge equipe de resgate em Santa Catarina
ALENCAR IZIDORO
da Folha de S.Paulo, em Ilhota
Novos deslizamentos de terra ontem na divisa de Luiz Alves e Ilhota, região mais afetada pelas chuvas em Santa Catarina, deixaram ao menos três mortos e mais de dez feridos, incluindo um grupo de oito homens da Força Nacional de Segurança que tentava retirar moradores da área.
| 29.nov.2008 - Fernando Donasci/Folha Imagem |
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Um dos homens da equipe de resgate estava ontem à noite em estado grave na UTI de um hospital de Itajaí, outro se machucou sem gravidade e seis tiveram escoriações leves.
É a primeira vez que pessoas envolvidas no resgate foram incluídas entre as vítimas das chuvas na região, justamente no momento em que os desabamentos de morros avançam e as áreas de risco são ampliadas.
Entre as vítimas ontem havia ao menos cinco crianças que eram transportadas em uma pequena carreta, duas das quais morreram, segundo integrantes de equipes policiais, médicos e moradores. Os corpos de uma criança de dez anos e de uma mulher de 69 anos começaram a ser velados ontem, às 22h, numa igreja em Luiz Alves. O de um garoto de sete anos ficou soterrado, disse Djovan Gesser, dono da funerária do município.
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O nome do integrante da Força Nacional ferido gravemente não foi divulgado. Ele teve afundamento do tórax e do maxilar e fratura do fêmur.
Segundo Milton Kern, tenente-coronel e coordenador de operações aéreas da Defesa Civil, alguns moradores resistiam a sair da região e seriam retirados à força.
Resgate suspenso
O deslizamento chegou a arrastar um trator da equipe da Força Nacional e também feriu, sem gravidade, outra criança de seis anos e um adolescente de 16. O resgate nas proximidades teve de ser suspenso, mesmo sem conseguir retirar todos os habitantes das áreas de risco.
Depois do acidente, Kern disse que as equipes de busca foram orientadas a só fazer os resgates em áreas de risco por helicóptero, e não mais por via terrestre, como ocorreu em Luiz Alves.
Zilda Bueno, assessora jurídica do hospital Marieta Konder Bornhausen, de Itajaí, onde o integrante da Força Nacional estava na UTI, os escorregamentos em Luiz Alves atingiram no total 18 moradores, três dos quais estavam em estado grave em Itajaí. Crianças com ferimentos foram levadas a ao menos três unidades de saúde.
Bombeiros afirmaram que a quantidade de vítimas pode ser ainda maior. Na noite de ontem, a Defesa Civil só havia confirmado duas novas mortes.
Situação grave
Mesmo com a volta do sol, a situação na divisa de Ilhota com Luiz Alves se agravou ontem porque as áreas de deslizamento avançaram e dificultaram os trabalhos de resgate.
Técnicos do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo) ampliaram a área considerada de risco. O prefeito de Ilhota, Ademar Felisky (PMDB), disse ontem que há pelo menos 40 desaparecidos na cidade, que já registra oficialmente 37 mortes. Questionado se acreditava que essas pessoas ainda poderiam estar vivas, disse: "Não, provavelmente estão mortas".
Ontem, foram resgatadas ao menos 42 das 200 pessoas que continuam ilhadas na região do Morro do Baú.
Hospital de campanha
A Aeronáutica estava ontem terminando a instalação, entre as cidades de Ilhota e de Itajaí, de um hospital de campanha, que começa a atender hoje. O objetivo não é socorrer casos graves, mas desafogar os setores de emergência dos hospitais da região.
A expectativa é que comecem a surgir casos de doenças decorrentes da chuva, como leptospirose, além de diarréia e problemas gástricos. A unidade tem capacidade para atender a 400 pessoas.
De acordo com a Secretaria de Saúde de Santa Catarina, já há no Estado 11 casos de vítimas da enchente com suspeita de leptospirose.
Colaborou a Agência Folha
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