Blumenau tem 2º dia de sol; organização cria estratégias para evitar tumultos nos abrigos
DIMITRI DO VALLE
da Agência Folha, em Blumenau
Pelo segundo dia seguido, a cidade de Blumenau pôde apreciar nesta segunda-feira um clima sem chuva e com sol. Moradores disseram que a situação foi incomum nos últimos meses e tiraram o dia para trabalhar na limpeza das casas e do comércio.
Segundo previsão da Epagri, estatal catarinense responsável pela meteorologia, a previsão para hoje no Vale do Itajaí é de chuva em pontos isolados na madrugada e de sol entre nuvens no decorrer do dia. A empresa, porém, enviou novos alertas sobre o risco de deslizamentos na região.
| James Tavares/Efe |
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"Faz dois meses que não há dois dias de sol em Blumenau", afirmou o empresário Américo Odorizzi, 64. "O sol nos dá coragem de reconstruir", disse ele, durante o trabalho de remoção de material de um galpão de sua editora, atingida por um deslizamento. O prejuízo foi de R$ 300 mil, disse.
"Pra mim, isso [dia de sol] é raro. Tomara que permaneça", afirmou a operária Marli Gutz, 50, que teve a casa inundada no bairro Nova Esperança.
A comerciante Janete da Silva Sieverdt, 30, reabriu sua padaria hoje em Blumenau depois de uma semana sem poder trabalhar. Ao lado do estabelecimento, um desmoronamento de terra matou três pessoas que estavam dentro de uma casa. "O que queremos é voltar a ter um dia assim, com sol, e sem desgraça", disse.
Abrigos
Apesar do tempo bom, os abrigos públicos da cidade, onde estão os moradores que perderam as casas, continuam cheios. Para impedir confusões nos locais, militares e voluntários estão criando estratégias envolvendo atividades para mantê-los ocupados.
Funcionários de um dos abrigos visitados pela reportagem, na Furb (Universidade Regional de Blumenau), dizem que colocam moradores suspeitos de envolvimento com crimes em bairros para trabalhar na manutenção do local, em serviços como os de faxina.
Segundo os funcionários, outra tática para dissuadir confusões é manter o policiamento por perto.
No fim de semana, cinco policiais militares fizeram uma vistoria dentro do abrigo com o objetivo de encontrar armas ou drogas, mas nada foi achado. Mesmo assim, a organização considera que a presença do policiamento e uma programação que imponha uma rotina ajudam a deixar o ambiente com sensação de segurança para os desabrigados.
Para melhorar o ambiente, voluntários, como integrantes do conselho regional de psicologia, criaram atividades de leitura e pintura para crianças. Para os adultos, há conversas em grupo com terapeutas que os ajudam a superar o trauma causado pela perda da casa.
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