Lula promete "revolução" na segurança com policiais cidadãos; Tarso reitera uso da força
LUISA BELCHIOR
Colaboração para a Folha Online, no Rio
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu nesta quinta-feira uma "revolução" na segurança pública do país nos próximos anos, com o Pronasci (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania). A mudança, segundo Lula, começará pelo Rio, onde ele lançou hoje ações no complexo do Alemão (zona norte), que incluem a utilização do policiamento comunitário.
Na mesma cerimônia, no entanto, o ministro Tarso Genro (Justiça) ponderou que o Pronasci não terá uma "visão romântica" e que, se for preciso, os policiais comunitários farão o uso da força.
O programa prevê que 450 policiais militares do Rio ficarão, a partir desta quinta-feira, em postos móveis nas favelas do complexo do Alemão, com o objetivo de prevenir conflitos. O presidente Lula minimizou o uso da força pelos policiais do Pronasci.
"Esse programa não é apenas para combater a violência, mas de cidadania [...]. Faremos uma revolução para resolver o problema da segurança pública em todos os lugares", discursou o presidente, durante cerimônia realizada na favela Nova Brasília, no complexo, para lançar o policiamento comunitário e outros 19 programas do Territórios da Paz, do Pronasci.
Já o ministro Tarso Genro, cuja pasta é responsável pelo Pronasci, afirmou que, "quando necessário", os policiais empregados no programa saberão "fazer uso da violência".
"Não temos uma visão romântica de que a segurança pública é só obra pública. Essa polícia saberá usar a violência e a autoridade quando necessário."
O ministro disse ainda que o Rio, onde a política de segurança do governador Sérgio Cabral (PMDB) é marcada pelo enfrentamento em operações policiais, "está dando exemplo para o Brasil".
Repetição
Em discurso de cerca de 15 minutos, o presidente Lula repetiu trechos do discurso que fez também no complexo do Alemão em março deste ano, durante o lançamento das obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) em favelas cariocas.
O presidente voltou a se referir a traficantes de drogas dos morros do Rio como "laranjas podres" que "a gente vai prender se não quiser se recuperar". Lula também afirmou que a pobreza do Alemão é conseqüência do descaso dos políticos fluminenses nos últimos 30 anos.
Pronasci
Lançado pelo governo federal no ano passado, o Pronasci terá 20 tipos de ações no complexo do Alemão a partir desta quinta-feira, todas voltadas para tirar ou evitar a entrada de jovens no tráfico de drogas.
Um dos projetos, de policiamento comunitário, visa colocar 600 policiais militares do Rio permanentemente em favelas dentro do complexo. Os policiais ficarão em postos comunitários que serão construídos pelo programa.
Outro projeto é o Mulheres da Paz, que vai pagar R$ 190 mensais a 175 moradoras do complexo selecionadas para atuar como mediadoras de conflitos. Elas terão como função, segundo o Ministério da Justiça, afastar os jovens da criminalidade.
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