Carrapato transmitiu doença que matou empresário sul-africano
colaboração para a Folha Online
Resultados dos exames feitos pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) sobre a causa da morte do empresário sul-africano William Charles Erasmus, 53, no Rio, indicam que ele contraiu uma doença transmitida por carrapatos, chamada rickettsiose --entre as quais a mais conhecida é a febre maculosa. Os testes sorológicos descartaram a suspeita de arenavírus, hantavírus, herpes e ehrlichiose, segundo a Fiocruz.
A equipe do Laboratório de Referência Nacional para a Rickettsiose da Fiocruz ainda não sabe qual espécie da bactéria (do gênero rickettsia) causou a doença no empresário, que morreu na última terça-feira (2), vítima de febre hemorrágica. O mais provável, segundo a assessoria da Fiocruz, é que ele tenha sido contaminado na África do Sul e apresentado os sintomas no Brasil --com base nos dados sobre sua estadia no país e tempo necessário para a manifestação dos sintomas.
A assessoria da Fiocruz informou também que o empresário desenvolvia atividades em escritório e não esteve em região de mata onde possa ter tido contato com carrapatos e que a bactéria tem um período médio de incubação de sete dias, podendo variar de dois a 15 dias.
A rickettsiose é uma doença grave, mas que tem cura, se diagnosticada cedo. De acordo com a assessoria, o problema é justamente que o diagnóstico diferencial é difícil, uma vez que os sintomas manifestados não são específicos e ocorrem também em outras doenças: febre, vômito, dor de cabeça, cansaço e mancha vermelha pelo corpo.
Segundo a assessoria, a partir do momento que os médicos suspeitem da doença, a prescrição de antibióticos deve ser iniciada, mesmo que não haja a confirmação, porque o ideal é que o paciente tome os medicamentos corretos até o quinto dia pós infecção. Os pesquisadores realizarão a caracterização molecular da rickettsia, para identificar qual espécie foi responsável pelo óbito
Monitorados
As 75 pessoas que mantiveram contato direto com fluidos e secreções --como sangue, muco, urina e fezes-- do sul-africano e estavam sendo monitorados pelo Ministério da Saúde desde a última quinta-feira (4) foram liberadas, porque não há risco de terem sido contaminadas, segundo a assessoria.
Os funcionários dos dois hospitais, do hotel e da empresa onde Erasmus esteve passam bem e não há risco de epidemia, uma vez que a doença não é transmitida de pessoa para pessoa, somente pelo carrapato infectado. Então, eles não se expuseram a nenhum risco.
Doença
Para que a infecção ocorra, o carrapato precisa ficar aderido à pele por algumas horas (de 4 a 6 horas). A transmissão do patógeno também ocorrer no momento do esmagamento do carrapato, se houver lesões na pele. Os carrapatos permanecem infectados durante toda a vida, que em geral dura 18 meses.
Em todo o mundo, existem mais de 20 rickettsias do grupo que pode causar a febre maculosa. O sul da África, Mediterrâneo e costa atlântica dos Estados Unidos são áreas de alerta para a doença.
No Brasil, o primeiro caso foi identificado em 1929. Há relato de casos no Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia e, mais recentemente, em Santa Catarina. De 1997 até 2008, houve somente 641 casos da doença no Brasil inteiro.
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