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Cotidiano
09/12/2008 - 08h22

Bombeiro alerta para o risco de uso incorreto de pisca-pisca de Natal

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TALITA BEDINELLI
Colaboração para a Folha de S.Paulo

Há cinco anos, a árvore de Natal do tenente Marcos Palumbo, do Corpo de Bombeiros de São Paulo, deixou de ser iluminada. Ele tomou essa decisão por precaução, depois de ajudar a apagar um incêndio na casa do próprio vizinho, que havia sido causado por piscas-piscas utilizados como enfeite.

No incêndio, ninguém se feriu com gravidade, mas a sala foi totalmente destruída. "É muito triste chegar numa casa, em uma manhã de Natal, e todos os presentes estarem queimados, o sofá estar queimado. Tudo queimado", diz.

Segundo o tenente, casos como esse são bastante comuns nesta época do ano: ele estima que 40% dos incêndios que acontecem perto do Natal têm origem na iluminação natalina.

SXC
Bombeiro alerta para o risco de uso incorreto de pisca-pisca; 40% dos incêndios perto do Natal têm origem na iluminação natalina
Bombeiro alerta para o risco de uso incorreto de pisca-pisca; 40% dos incêndios perto do Natal têm origem na iluminação natalina

Na última sexta-feira, as luzes de uma árvore de Natal também foram as prováveis responsáveis por um incêndio na casa da apresentadora de TV Xuxa Meneghel. Ela e a filha conseguiram sair sem ferimentos, mas o ator Luciano Szafir inalou fumaça e teve que ser internado em um hospital para observação.

Segurança

Para Gustavo Kuster, gerente da Divisão de Programas de Avaliação da Conformidade do Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial), esses incêndios acontecem porque a maioria dos produtos comercializados no Brasil tem origem ilegal e não atende a normas de segurança.

Essas luzes podem superaquecer e, quando colocadas perto de materiais inflamáveis, como árvores de Natal, causar um incêndio.

Os piscas-piscas vendidos no país não passam por um controle do Inmetro.

De acordo com Kuster, como esses produtos são utilizados apenas nesta época do ano e em poucas regiões do Brasil, o custo com a regulamentação não compensaria.

Para o pesquisador Douglas Messina, do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas), essa regulamentação seria necessária para aumentar a segurança dos usuários.

Uma forma de contornar o problema e evitar incêndios, diz o tenente Palumbo, é comprar as luzes em lojas conhecidas e evitar colocá-las em volta das árvores de Natal.

"Tem tudo o que o fogo quer: um pinheiro seco, oxigênio. É só uma faísca que a sala inteira pega fogo e muito rápido", diz. O ideal, ressalta ele, é instalá-las apenas em ambientes externos, como varandas e fachadas e sempre longe de materiais inflamáveis, como plásticos.

 

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