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Cotidiano
10/12/2008 - 17h26

Multinacionais pedem, e Justiça autoriza apreensão de produtos no Shopping 25 de Março

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MÔNICA RIBEIRO E RIBEIRO
Colaboração para a Folha Online

Uma ação movida por nove empresas multinacionais fechou nesta quarta-feira o Shopping 25 de Março, na região central de São Paulo. A Justiça expediu mandados de busca e apreensão e, com o término da operação, o shopping volta a funcionar.

De acordo com os advogados que representam as empresas que têm seus produtos falsificados, cerca de 250 lojistas que comercializam os utensílios piratas tiveram suas mercadorias apreendidas. A estimativa é que 40 toneladas de bonés, bolsas, óculos, tênis e demais utensílios de vestuário sejam apreendidos até o fim do dia.

Segundo o advogado Newton Vieira Júnior --que representa a Nike, Louis Vitton, Puma, Dior, Channel e Levi's --, a primeira ação foi movida no último dia 3 de outubro. "O shopping vai pagar uma multa diária [a partir daquela data] de R$ 50 mil para essas marcas".

Para contribuir com a operação, a Polícia Militar deslocou cerca de 70 oficiais para supervisionar a apreensão. Durante o dia, nove oficiais de Justiça compareceram ao local, e as empresas contrataram aproximadamente 60 carregadores para remover as mercadorias pirateadas, que serão transportadas em sete caminhões.

Representante da Adidas, Reebock e Everlast, o advogado Wellington Souza de Oliveira afirma que esta é a segunda diligência de busca e apreensão movida em seis meses. "Vamos cobrar dos lojistas que falsificam os produtos a multa diária de R$ 20 mil".

De acordo com o tenente aspirante João Guilherme Dmytraczenko, os policiais militares apenas foram deslocados para garantir a segurança da apreensão. Não há registro de lojistas presos "O trabalho é só de busca das mercadorias".

Os produtos apreendidos ficarão depositados nas empresas que foram pirateadas até sair a decisão judicial. Após o julgamento, os objetos que não oferecem danos serão doados à comunidade. O restante será destruído.

A administração do shopping foi procurada pela reportagem da Folha Online, mas não quis comentar a operação.

Normalidade na rua

Mesmo com a apreensão movida pelas empresas, muitos camelôs continuavam a comercializar seus produtos falsificados nas proximidades da 25 de Março. Uma comerciante que trabalha há quatro anos no local desconhecia a ação. Em sua banca, ela vendia por R$ 10 camisetas com estampas da Adidas, Puma, Levi's e da nacional Carmim. As originais podem custar até R$ 100 a unidade.

A ambulante, que teve seus produtos tomados pelo "rapa" (apreensão feita pela Guarda Civil Metropolitana) apenas uma vez, disse que não havia sido abordada pela equipe responsável pela operação de hoje.

Segundo ela, os produtos falsificados são comprados em uma feirinha que acontece diariamente na própria 25 de Março, por volta das 4h. A procedência é desconhecida.

Quanto a esses produtos, o advogado Newton Vieira Júnior diz que as empresas não vão mover uma ação parecida com a do shopping. "O nosso alvo com atribuição judicial civil é com os fornecedores que atuam no shopping. Na rua, quem faz apreensão é a Guarda Civil".

 

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