PM absolvido da morte do menino João Roberto é solto e volta a trabalhar
da Agência Brasil
da Folha Online
Atualizado às 22h00.
O cabo da Polícia Militar William de Paula, absolvido da acusação da morte do menino João Roberto, foi solto na tarde desta quinta-feira do Batalhão Especial Prisional, no Rio, onde estava detido. Ele foi absolvido pelo júri nesta madrugada.
Segundo a PM, ele voltará a trabalhar internamente no 6º Batalhão, na Tijuca. Após sete horas de julgamento, os jurados consideraram que o policial militar cometeu apenas crime de lesão corporal contra a mãe --Alessandra Amorim Soares-- e o irmão de João Roberto.
De acordo com o Tribunal de Justiça do Rio, ele foi condenado a sete meses de detenção, em regime inicial aberto, pelo crime de lesão corporal leve. Segundo o TJ-RJ, durante um ano, o PM "prestará serviços à comunidade sete horas por semana pelo prazo de dois anos".
| Reprodução |
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| João Roberto (à esq.), 3, morto após ser baleado por PMs, em foto com o irmão; governo do Rio deverá pagar indenização à sua família |
João Roberto, de três anos, foi morto em julho deste ano, na Tijuca, zona norte da cidade, quando o carro em que estava com a mãe e o irmão foi atingido 17 vezes por policiais militares. Os PMs disseram que confundiram o veículo com o de bandidos durante uma perseguição.
O Ministério Público entrou com recurso para tentar reverter a decisão dos jurados.
Durante o julgamento, o PM negou ter atirado contra o menino e disse que deu apenas tiros de advertência contra o pneu e o porta-malas do veículo. À Justiça ele alegou ainda que, mesmo tendo atirado contra o carro da mãe de João Roberto, disparou dois tiros de advertência por considerar se tratar de criminosos. Afirmou também que agiu com cautela, por isso, evitou a morte do irmão e da mãe do menino, que também estavam no veículo.
"Achei que era o Fiat Stilo [carro onde estavam supostos criminosos em fuga]. Mesmo assim, consegui evitar o pior", disse. Mas admitiu ter confundido o carro da família com o dos suspeitos. "Eu confundi o carro e só vi o símbolo da Fiat."
Ele relatou ao juiz Paulo Lanzelloti Baldez, do 2º Tribunal do Júri, ter ficado emocionalmente abalado ao ver o menino baleado. "Não tive nem forças para tirar a criança do carro. Fiquei traumatizado porque sou pai de família."
Julgamento
No julgamento, que começou às 11h desta quarta-feira (10), a mãe de João Roberto foi a primeira a ser ouvida.
Segundo Alessandra, o carro em que estava William e o outro policial acusado, Elias da Costa Neto, aproximou-se de seu veículo em alta velocidade e disparou vários tiros. Ela disse que encostou o seu carro para a polícia passar, mas percebeu que o alvo dos tiros era o seu carro.
Para evitar mais disparos e mostrar que havia crianças no carro, ela teria jogado uma bolsa de bebê para fora do carro. Além de Alessandra, testemunharam o coronel Rogério Leitão, relações públicas da PM, e Maurício Augusto, que assistiu parte da ação da janela de seu apartamento.
O soldado Elias Gonçalves, também acusado no caso, será julgado no próximo dia 15.
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