Delegado do CRM em Londrina (PR) diz que falta "humanização" em cursos de medicina
JOSÉ MASCHIO
da Agência Folha, em Londrina
O delegado do "CRM (Conselho Regional de Medicina) de Londrina (norte do PR), João Henrique Stessen Júnior, 85, criticou nesta quinta-feira a falta de ''humanização'' nos cursos de medicina do país.
Segundo o médico, essa falha se refletiu na ação de formandos da UEL (Universidade Estadual de Londrina), que, em 20 de novembro, invadiram o HU (Hospital Universitário), em comemoração ao final do ano letivo.
Decano entre os médicos londrinenses, Stessen considerou ''inadmissível'' a ação dos formandos que, com rojões e sprays de espuma, levaram pânico a pacientes, médicos e funcionários do PS (Pronto Socorro) do HU.
Auditoria interna determinada pelo reitor da UEL, Wilmar Marçal, 49, identificou 14 alunos que foram impedidos de colar grau nesta sexta-feira (12).
Em decisão do Conselho Universitário, os outros 82 formandos terão que assistir a uma palestra sobre ética antes da colação de grau. Até o início da noite de hoje, o CRM não havia divulgado quem iria proferir a aula aos formandos.
"Os médicos saem hoje das faculdades muito mais preparados cientificamente que os médicos de 59 anos atrás, quando me formei. Mas saem preparados para diagnosticar exames, não pacientes. É preciso humanizar o ensino de medicina para que o paciente seja mais respeitado'', declarou Stessen.
Segundo o médico, a atitude dos formandos de medicina da UEL mostra uma ''percepção errada do dever da própria condição de ser médico, que é ter postura ética, do pensamento sempre para o paciente, não para algazarras como aconteceu''.
Os 14 formandos identificados por meio de gravações de câmeras de segurança do HU, além de impedidos de participar da formatura, sofrerão processo administrativo disciplinar. As penalidades podem variar de advertência à expulsão do curso.
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