PF desarticula organização que fornecia cocaína ao PCC e busca 52 suspeitos
colaboração para a Folha Online
Uma operação da Polícia Federal realizada nesta sexta-feira em sete Estados e Distrito Federal desarticulou uma organização suspeita de tráfico internacional de drogas da Bolívia para o Brasil. A organização fornecia cocaína para o PCC (Primeiro Comando da Capital) em São Paulo e distribuía a droga de Mato Grosso para outros cinco Estados, afirma a PF.
A operação, batizada Aracne, foi conduzida pela Superintendência da Polícia Federal em Mato Grosso e mobilizou 400 policiais. A Justiça expediu 52 mandados de prisão e 73 mandados de busca e apreensão --o número de presos, no entanto, ainda não foi confirmado.
Os policiais descobriram que a organização, formada por brasileiros, recebia pasta de cocaína de dois cartéis bolivianos. A droga chegava ao Brasil em pequenos aviões e era armazenada em fazendas nos municípios de Campo Novo do Parecis, Tangará da Serra e Nova Maringá, todas em Mato Grosso.
De lá, a substância era transportada para Goiás, São Paulo, Maranhão, Minas Gerais e Distrito Federal. A organização, integrada por um número ainda desconhecido de pessoas, fazia a aquisição, distribuição e comercialização de cocaína, além do processamento da pasta, conforme as investigações.
A PF diz que o principal destinatário da droga era o PCC (Primeiro Comando da Capital), facção criminosa que atua nos presídios do Estado de São Paulo e que, conforme a polícia, tem braços em outros Estados, realizando tráfico de drogas e assaltos a bancos.
Na operação, a PF também descobriu que os traficantes faziam lavagem de dinheiro, com a utilização de laranjas para assumir o lucro dos negócios ilegais. Alguns integrantes ainda faziam evasão de divisas para desviar quantias de dinheiro captadas com o tráfico.
Remessas
A PF informou ainda que não conseguiu interceptar a maior parte das remessas de pasta de cocaína movimentadas pela organização, já que não foi possível levantar quando, como e por quem os carregamentos eram transportados.
Ainda assim, a polícia descobriu que nos últimos nove meses o grupo conseguiu fazer a entrega de, no mínimo, 15 toneladas de pasta base de cocaína, principalmente no Estado de São Paulo. Durante as investigações, a polícia conseguiu apreender três toneladas da droga.
A polícia ainda obteve da Justiça a quebra dos sigilos bancários dos investigados, além do bloqueio de seus bens, que incluem imóveis urbanos e rurais, empresas, aeronaves, automóveis, saldos de contas bancárias, dinheiro em espécie e jóias.
Os presos e outros suspeitos que ainda estão sendo procurados irão responder pelos crimes de tráfico internacional de drogas, associação para o tráfico, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção ativa. Ainda não há informações se existem autoridades envolvidas.
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