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Cotidiano
18/12/2008 - 10h42

Spray de pimenta é altamente inflamável, conclui Exército

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LUIS KAWAGUTI
da Folha de S.Paulo

Um laudo do Exército constatou que o spray de pimenta -arma não-letal usada por diversas polícias no Brasil - é altamente inflamável e perigoso se combinado com outras armas não-letais, como cassetete elétrico, ou se entrar em contato qualquer tipo de chama.

A análise do Ctex (Centro Tecnológico do Exército) foi feita para tentar elucidar o caso de um rapaz de 16 anos que disse ter sido queimado com ácido por militares ao ser pego fumando maconha num quartel do Rio, em novembro. A Folha apurou que o Exército acredita que as queimaduras foram causadas pela combinação não intencional de armas não-letais.

Até então, o perigo dessa combinação não era totalmente conhecido. Algumas marcas são inflamáveis; outras, não. A testada pelo Exército é também usada por polícias de diversos Estados, entre eles SP.

O spray de pimenta é usado para controlar multidões ou imobilizar suspeitos temporariamente. A sensação é de dor intensa, semelhante à de queimaduras. Os efeitos desaparecem em até uma hora.

O teste do Ctex mostrou que o spray usado pelo Exército é inflamável porque contém etanol em sua fórmula, segundo uma minuta do laudo.

A PM de São Paulo afirmou que quase todos os seus policiais usam o gás, mas disse que o cassetete elétrico não é utilizado pela corporação.

O teste do Ctex, porém, concluiu que o produto pode pegar fogo também com qualquer tipo de chama. Um militar ligado aos testes disse à Folha que até um disparo de arma de fogo, em teoria, pode fazer uma nuvem de spray de pimenta pegar fogo --embora tal teste não tenha sido realizado pelo Ctex.

Para o consultor de segurança Hugo Tisaka, da NSA Brasil, o risco de combustão é baixo. "As forças de segurança têm de prestar atenção para não causar lesões desnecessárias."
A fabricante do produto não falou com a reportagem.

O Exército analisou publicações especializadas dos EUA que relatam que a polícia americana já enfrentou problemas com a combinação de spray de pimenta e pistolas taser --armas não-letais que, como os cassetetes, disparam choques.

Os militares envolvidos no caso do rapaz disseram ter combinado as armas não-letais depois que ele tentou atacá-los.

Em seu último depoimento, o adolescente mudou de versão, dizendo não ter sido queimado com ácido, mas recebido chutes e sido atingido nos olhos e nas costas com spray. Disse ter visto um militar riscar um fósforo e o jogar em suas costas. O Exército usará o laudo para argumentar que, sob efeito do gás, ele não tinha condições de ver uma caixa ou um palito de fósforo.

 

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